- 53 minutes 53 secondsAs contradições de um ” déspota iluminado”: A vida e a obra de Diogo Inácio de Pina Manique
Nascido a 3 de outubro de 1733, Diogo Inácio de Pina Manique teve uma carreira fulgurante ocupando com eficácia e zelo, por vezes excessivo, os principais cargos administrativos da sua época. A sua ação resoluta e pragmática foi reconhecida tanto pelo Marquês de Pombal como pela rainha D. Maria I. Seria, contudo, muito pouco complacente com os que não cumpriam as suas regras. Foi o que aconteceu em 1777 quando mandou incendiar, de noite, a aldeia piscatória da Trafaria para apanhar alguns homens que tinham fugido ao recrutamento. Ficaria, por isso conhecido como “O Carrasco da Trafaria”.
Em 1780, D. Maria I nomeia-o Intendente Geral da Corte e do Reino. Mais uma vez, assumiria o cargo com extremo zelo. Com a difusão dos ideais da Revolução Francesa e sobretudo com a ascensão de Napoleão Bonaparte – que vinham colocar em causa o absolutismo real - Pina Manique vai de forma quase paranoica perseguir todos os que potencialmente tivessem simpatias pelos ventos que sopravam de França. Muitos ver-se-iam obrigados a abandonar o país por imposição do Intendente ou para para não serem incomodados pelos seus esbirros. Seria o caso do abade Correia da Serra, um dos fundadores da Academia das Ciências, e dos da poetas Marquesa de Alorna e Filinto Elísio.
Por outro lado, Diogo Inácio de Pina Manique foi um adepto do estudo científico que, com a direção do matemático José Anastácio da Cunha, fez aplicar na obra assistencial que criou em 1780, a Real Casa Pia de Lisboa. O objectivo era tirar das ruas crianças desvalidas, de ambos os sexos – que potencialmente poderiam tornar-se mendigos ou criminosos - para os alimentar e educar para que se pudessem integrar, posteriormente, na sociedade. Os alunos que se destacassem eram encaminhados para a universidade de Coimbra podendo os de medicina, mais tarde, especializar-se no estrangeiro. Os que demonstrassem talento artístico, como Vieira Portuense, Domingues Sequeira e João José de Aguiar iriam para Roma.
Defensor de um absolutismo iluminado, Pina Manique foi, aliás como o Marquês de Pombal, um homem de grandes obras e de grandes violências.See omnystudio.com/listener for privacy information.
9 September 2026, 4:30 am - 48 minutes 57 secondsD. Fernando II e a Condessa d’Edla, os protetores das artes e criadores do Parque da Pena
Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho relembram Elise Hensler (1836-1929), uma cantora de ópera de origem suíça americana com quem o rei D. Fernando II se casaria, em segundas núpcias, treze anos depois da morte da rainha D. Maria II. Fortemente contestado na sua época, o polémico casal foi, durante anos, votado a um certo ostracismo pela aristocracia portuguesa, como se depreende de uma carta de D. Fernando ao filho, o rei D. Luís: “Eu tenho pensado maduramente sobre esse assunto e acho que por ora mais acertado não irmos nós lá, por esta vez. Não é pelo público mas por causa de pessoas que não nos tem visitado por ora, e por isso alegam motivos que só em cabeças de cuco é que podem ter origem.”
Após o casamento, Elise receberia de Ernesto II, primo de D. Fernando e chefe da Casa de Coburgo, o título de Condessa d’Edla. Amante da música, das artes e da natureza, foi a companheira ideal para D. Fernando, sendo a principal responsável pela criação do magnífico Parque da Pena e da sua grande protetora até à implantação da República. Após a morte do marido continuaria a apoiar financeiramente, também, os seus protegidos: o jovem pintor Columbano e o pianista e compositor Viana da Motta. Injustamente vilipendiada na sua época, foi, e talvez por isso, uma mulher culta, activa e com voz própria. Honrando até ao fim da sua vida, em 1929, a memória do marido, soube ganhar a estima e o respeito dos que com ela privaram de perto, quer fossem criados, diplomatas, médicos, intelectuais ou mesmo membros da família real.
D. Pedro II do Brasil aceitou-a, sem reserva, como esposa do viúvo da sua irmã, sendo um dos seus mais fiéis amigos. Para o infante D. Augusto, o filho mais novo de D. Fernando, foi a mãe que ele não teve. Com a rainha D. Amélia compartilhou o amor que ambas tinham à Pena. Elise Hensler, Condessa d’Edla, morreria, em Lisboa, a 21 de maio de 1929 na véspera de completar 93 anos. Os jornais americanos noticiariam a sua morte sob o título “Only American Girl Who Ever Wed a King.”
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2 September 2026, 4:30 am - 55 minutes 29 secondsCantando e rindo: A exposição do Mundo Português no contexto da propaganda no Estado Novo
Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho relembram a Exposição do Mundo Português que, com um timing infeliz, abriria as suas portas a 23 de Junho de 1940, um dia a seguir à rendição da França, em Compiègne, à Alemanha nazi. Com a Europa mergulhada quase integralmente nas trevas, Lisboa, capital de um país neutro, festejava brilhantemente o Duplo Centenário da Independência e da Restauração.
Concebida para mostrar ao mundo e aos portugueses as glórias passadas e as conquistas do Estado Novo, a exposição – ponto alto com que se encerrariam as Comemorações - acabaria por falhar parte desse objectivo. A guerra determinaria um número de visitantes estrangeiros muito menor do que o esperado. Por essa altura, porém, o país, recebia milhares de refugiados em trânsito graças ao acto de consciência do cônsul português de Bordéus, Aristides de Sousa Mendes. Contudo, os que chegavam tinham outras preocupações. E, apesar de a Exposição ter tido - durante os cinco meses que esteve aberta - cerca de 3 milhões de visitantes, a esmagadora maioria eram visitantes nacionais vindos de todo o país.
Coube a António Ferro a seleção dos arquitectos e artistas da exposição. O director do Secretariado de Propaganda Nacional escolheria a nata da geração modernista incluindo mesmo aqueles que, como Arlindo Vicente e Cassiano Branco, estavam visivelmente desalinhados com Estado Novo. A Exposição do Mundo Português foi fruto de um regime totalitário que a usou como trunfo propagandístico. Contudo, não deixou de ser um acontecimento absolutamente marcante no panorama cultural português.
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26 August 2026, 4:30 am - 44 minutes 34 secondsRainha D. Leonor, a mulher mais rica da Europa
Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho relembram a rainha D. Leonor, mulher de D. João II. Filha do infante D. Fernando, duque de Viseu e de Beja e de D. Beatriz - a única mulher a desempenhar o cargo de governadora da Ordem de Cristo - D. Leonor (1458-1525) foi, a todos os títulos, uma rainha fora do comum. Culta e letrada, substituiu o marido nas suas ausências e foi regente de seu irmão, o rei D. Manuel. Protetora das artes, foi mecenas de Gil Vicente, a quem encomendou inúmeros autos, financiou a realização de pintura primitiva portuguesa e encomendou, no estrangeiro, vários retábulos para os seus conventos. Para além disso apoiou a impressão de livros, nomeadamente As Viagens de Marco Polo, mas também a ourivesaria e a iluminura.
Enquanto regente, criou, em 1498, a Misericórdia de Lisboa, uma instituição de beneficência que viria a ser a base de uma futura rede de instituições similares que se espalhariam por todo o império e que ainda hoje subsiste. Frei Jerónimo de Belém chamou-lhe a rainha perfeitíssima, um epiteto inspirado no cognome de seu marido, o Príncipe Perfeito. Seria por sua influência que, após a morte do príncipe D. Afonso, D. João II designaria, a contragosto, como sucessor D. Manuel, o irmão mais novo da rainha. Talvez por isso, o rei Venturoso manteria até à morte uma profunda reverência pela irmã, consultando-a sobre assuntos da governação e acatando os seus conselhos. Apesar de ter sido, na sua época, a princesa mais rica da Europa, D. Leonor viveu sobretudo para o mundo espiritual mantendo uma conduta de vida inspirada na humildade franciscana. Depois de viúva “eclipsou-se” socialmente vivendo de forma quase monacal. Por sua vontade foi sepultada em campa rasa no convento da Madre de Deus – hoje Museu do Azulejo- que fundara em 1509.
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19 August 2026, 4:30 am - 1 hour 3 minutesAljubarrota, entre os mitos e a realidade: a “batalha real” de 14 de agosto de 1385
Neste episódio, Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho convidaram o historiador militar Miguel Gomes Martins para conversar sobre a decisiva batalha de Aljubarrota, a “batalha real”, travada a 14 de agosto de 1385 entre as hostes de D. João I, rei de Portugal, e de Juan I, rei de Castela. Qual o contexto político e militar desta batalha decisiva? Quais as estratégias das forças portuguesas e castelhanas? E qual o papel dos seus principais protagonistas: o rei de Portugal, o rei de Castela, e D. Nuno Álvares Pereira, condestável de Portugal? Por fim, que mitos se perpetuaram sobre esta batalha e o que de facto se passou a 14 de agosto de 1385 em Aljubarrota?
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12 August 2026, 4:30 am - 1 hour 7 minutesBreve viagem pela História da humanidade, com Gonçalo Cadilhe
Neste episódio, Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho convidaram Gonçalo Cadilhe, “turista profissional”, escritor, fotógrafo e documentarista, para uma conversa a propósito do seu último livro “Mais além — uma história sentimental da viagem e dos viajantes”. A conversa partiu de África, berço da humanidade; continuou pelas Américas, Ásia e Europa, para onde o ser humano migrou e se fixou; parou no próximo oriente, onde construiu as primeiras cidades; avançou pelas estradas que os romanos construíram; peregrinou até Roma, Santiago de Compostela e Meca; embarcou em naus e caravelas para chegar à Índia e dar a volta ao mundo; acompanhou James Cook até à Austrália; apanhou um comboio a vapor e, por fim, aterrou de avião no presente. A História da humanidade é sobretudo uma grande viagem ainda inacabada pelo tempo e pelos espaços.
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5 August 2026, 4:30 am - 22 minutes 17 secondsEspecial Verão | Magnífica Desolação: Depois da Lua, Marte? (Final da Série)
Reedição do arquivo de podcasts do Expresso. Publicado originalmente em 2019, nos 50 anos da chegada do Homem à Lua, "Magnífica Desolação" é um podcast narrativo sobre uma das maiores aventuras da história da Humanidade.
Quem se lembra ainda de “Espaço 1999”? Nos anos 70 todos pensavam que, no final do século, as pessoas já poderiam estar a viver na Lua. Mas, meio século depois, na verdade nunca mais lá voltámos. O regresso pode estar agendado para dentro de 5 anos, mas será possível? A Lua será na verdade apenas um portal para uma nova missão “impossível” da Humanidade. E, no final, convidamo-lo a olhar para ela com os mesmos olhos de AliceSee omnystudio.com/listener for privacy information.
31 July 2026, 5:20 pm - 1 hour 5 minutesA política externa do Estado Novo (parte 1)
Neste episódio, Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho convidaram o embaixador Bernardo Futscher Pereira — autor de uma trilogia sobre a Diplomacia portuguesa durante o Estado Novo — para o primeiro de dois episódios sobre este tema. Este primeiro episódio parte de 1932, ano em que Salazar ascendeu à liderança do governo português, e termina em 1961, ano da invasão de Goa e do começo da guerra em Angola.
Qual o envolvimento de Portugal na guerra civil de Espanha? Como foi executada a ambígua política de neutralidade durante a II guerra mundial? Quais os desafios internacionais do pós guerra? Como foi que o regime ditatorial do Estado Novo justificou a sua política nas instâncias internacionais? A terminar este primeiro episódio, qual o enquadramento da invasão de Goa e do início da guerra contra os movimentos independentistas em Angola?
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31 July 2026, 9:30 am - 55 minutes 43 seconds“Orgulhosamente sós”: a política externa do Estado Novo (parte II)
Neste episódio, Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho continuam a conversa com o embaixador Bernardo Futscher Pereira sobre a política externa do Estado Novo, desta vez sobre os anos entre 1961 e 1974. Qual o enquadramento internacional de Portugal em 1961, ano em que começou a guerra em Angola? Houve possibilidades de negociação com os movimentos de libertação? Quem se ofereceu para os mediar e porque não aconteceram? E houve mudanças na política externa portuguesa a partir do governo de Marcelo Caetano? Quem foram os principais aliados e os principais opositores do regime autoritário do Estado Novo? Por fim, o regime estava em 1974 ainda mais “orgulhosamente só” que em 1961?
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31 July 2026, 9:29 am - 18 minutes 42 secondsEspecial Verão | Magnífica Desolação: Acabou a lua-de-mel (EP. 10)
Reedição do arquivo de podcasts do Expresso. Publicado originalmente em 2019, nos 50 anos da chegada do Homem à Lua, "Magnífica Desolação" é um podcast narrativo sobre uma das maiores aventuras da história da Humanidade.
Três anos e meio depois de ter começado, a relação dos americanos com o programa Apollo acabou. Saía muito cara, e o fascínio e o entusiasmo inicial acabariam por dar lugar ao aborrecimento da banalidade. Mas os “filhos” dessa relação iriam mudar o mundoSee omnystudio.com/listener for privacy information.
30 July 2026, 2:00 pm - 19 minutes 51 secondsEspecial Verão | Magnífica Desolação: A caixa que mudou o Espaço (EP. 9)
Reedição do arquivo de podcasts do Expresso. Publicado originalmente em 2019, nos 50 anos da chegada do Homem à Lua, "Magnífica Desolação" é um podcast narrativo sobre uma das maiores aventuras da história da Humanidade.
No espaço de poucos anos o programa espacial americano passou do secretismo militar à televisão em direto e sem filtros a partir da Lua. Como é que isso foi possível? E como é que a “caixinha mágica" veio fazer com que todas as pessoas estivessem a bordo da Apollo 11 há 50 anos? Este episódio conta ainda com Júlio Verne e Isaac AzimovSee omnystudio.com/listener for privacy information.
29 July 2026, 4:00 pm - More Episodes? Get the App