O Poema Ensina a Cair

Raquel Marinho

Perseguindo a ideia de Lawrence Ferlinghetti - "a poesia é a distância mais curta entre duas pessoas" - esperamos, através das escolhas poéticas dos nossos convidados, ficar mais perto deles e conhecê-los melhor. Usamos o verso de Luiza Neto Jorge “O Poema Ensina a Cair” para dar título a este podcast sobre os poemas da vida dos nossos convidados. Um projecto da autoria de Raquel Marinho. "Melhor podcast de Arte e Cultura" pelo Podes 2021 - Festival de Podcasts.

  • 1 hour 42 minutes
    Dia Mundial da Poesia 2026: poesia dita por quem a escreve

    No Dia Mundial da Poesia deste ano, cedemos o microfone aos poetas para os ouvir ler em voz alta.

    São ao todo 51 autores; alguns trazem poemas inéditos. Obrigada a todos por terem aceitado participar deste episódio.

    As entradas no podcast estão por ordem alfabética, tal como aqui:

    A. M. Pires Cabral (poema inédito), Ana Paula Inácio, André Tecedeiro, Andreia C. Faria, António Amaral Tavares, Carla Louro, Catarina Nunes de Almeida, Cláudia Lucas Chéu, Cláudia R. Sampaio (poema inédito), Daniel Jonas, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Fernando Pinto do Amaral, Filipa Leal, Francisca Camelo, Francisco José Viegas, Helder Macedo, Hélia Correia, Inês Francisco Jacob, Inês Dias, Inês Fonseca Santos, Inês Lourenço, Jaime Rocha, Jorge Gomes Miranda (poema inédito), Jorge Roque (poema inédito), Jorge Sousa Braga, José Carlos Barros, João Bosco da Silva, João Paulo Esteves da Silva, Luís Filipe Castro Mendes, Margarida Vale de Gato (poema inédito), Maria do Rosário Pedreira, Maria Sousa, Miguel Cardoso (poema inédito), Miguel-Manso, Miguel Martins, Paola d’ Agostino, Paula Tavares (poema inédito), Paulo José Miranda, Pedro Braga Falcão (poema inédito), Pedro Mexia (poema inédito) , Pedro Rapoula (poema inédito), Raquel Nobre Guerra, Raquel Serejo Martins (poema inédito), Regina Guimarães, Renata Correia Botelho, Ricardo Marques, Rita Taborda Duarte, Rosa Oliveira, Rui Lage, Tatiana Faia, Vasco Gato.


    21 March 2026, 6:00 am
  • 2 hours 7 minutes
    Isabel Soares: "Era uma casa onde os amigos eram os escritores e os poetas."

    Cresceu numa casa de portas abertas a família e amigos, com livros por todo o lado, uma mãe, Maria Barroso, que dizia poesia pelo país - também como forma de resistir à ditadura de Salazar - e um pai, Mário Soares, fundador da democracia portuguesa, muitas vezes ausente por motivos políticos e pelas várias passagens pelas prisões de Caxias ou do Aljube.


    Isabel Soares nasceu em 1951. Chegou a pensar ser médica, passou pelo jornalismo, mas acabaria por abraçar a gestão do Colégio Moderno a pedido do pai e da mãe quando Mário Soares decidiu candidatar-se a Presidente da República.

    É esse o seu projeto de vida - aos 75 anos ainda trabalha todos os dias - e orgulha-se muito dos seus alunos, também pela liberdade cívica e intelectual que preconiza para a escola que dirige. "Terem a cabeça aberta e pensarem pela sua cabeça", como explica.


    Não se lembra da sua vida sem poesia porque a mãe, Maria Barroso, não apenas "embalava" os filhos a dizer poemas e mais tarde os levava aos recitais pelo país, como amiúde citava poemas de cor no meio das conversas. Ao mesmo tempo, alguns dos amigos da família Soares eram poetas, escritores ou pintores, que frequentavam a casa e os serões da casa, a que Isabel gostava de assistir.


    Considera que memória é identidade e é sobretudo a memória que nos guia ao longo desta conversa. Os poemas são um pretexto para a conhecermos melhor, e também, por maioria de razão, aos seus pais que, de certa forma, se juntam a nós.



    Poemas:

    Matilde Rosa Araújo – Nascer

    Ruben Dario – Não ouves cair as gotas da minha melancolia

    Sophia de Mello Breyner – Porque ; Há jardins evadidos deluar ; De todos os cantos do mundo ; Quando o meu corpo adormecer e eu for morta

    Jorge de Sena – Carta a Meus Filhos Sobre os Fuzilamentos de Goya

    Alexandre O«’ Neill – Portugal

    José Régio – Cântico Negro

    Álvaro de Campos - Aniversário

    Camilo Pessanha - Floriram por engano as rosas bravas

    Antonio Machado - Caminante, no hay camino

    Charles Baudelaire – As Flores do Mal


    13 March 2026, 6:00 am
  • 1 hour 15 minutes
    Itamar Vieira Junior: "Talvez o brasileiro que mais mereça o Prémio Nobel seja o Chico Buarque ."

    É um dos autores brasileiros do momento, e esteve em Portugal para apresentar o seu novo romance 'Coração sem Medo', o último livro da chamada trilogia da terra, iniciada com o sucesso de vendas Torto Arado - mais de 1 milhão de livros vendidos com traduções para 33 idiomas.

    Ao longo desta conversa, Itamar Vieira Junior partilha alguns dos seus gostos poéticos, que são um caminho que encontramos para o conhecer melhor.

    Ficamos a saber, por exemplo, que aos 9 anos já escrevia peças de teatro, que quando era adolescente ganhou coragem e bateu à porta de Jorge Amado para lhe pedir um autógrafo, ou que entre os seus autores de referência se encontra, por exemplo, Eça de Queiroz.

    Poemas:

    Adélia Prado – Ensinamento

    Maria do Rosário Pedreira – Dorme meu amor

    Vinicius de Moraes – Soneto do Amor Total

    Wislawa Szymborska – Mulher de Ló

    Maya Angelou - Still I Rise

    6 March 2026, 6:00 am
  • 1 hour 13 minutes
    Leituras com Pedro Mexia: Julian Barnes e Rui Lage

    Na rubrica deste mês, Pedro Mexia traz para a conversa, Partida, o último livro de Julian Barnes, tradução de Salvato Teles de Menezes, edição Quetzal, e Física Espiritual (antologia pessoal), de Rui Lage, edição Assírio & Alvim.



    27 February 2026, 6:00 am
  • 2 hours 8 minutes
    P. Paulo Duarte: "As portas da Igreja têm de estar escancaradas para que qualquer pessoa entre. "

    Esta semana recebemos o Padre Paulo Duarte, SJ.

    Nasceu em Portimão, em 1979, e quando era pequeno queria ser médico veterinário. Uma perda significativa na adolescência levou-o a um encontro com a religião, que acabou por lhe decidir o destino. Trabalhou na aviação, antes de entrar na Companhia de Jesus, em 2003. É licenciado em Filosofia e em Teologia, e mestre em Teologia Fundamental.


    Foi ordenado sacerdote em 2014 e fez a Terceira Provação (etapa final da formação dos jesuítas) entre novembro de 2023 e maio de 2024, no México.
    É adjunto do diretor nacional da Rede Mundial de Oração do Papa – Portugal desde setembro de 2024.

    Lançou recentemente um livro de crónicas chamado "De Corpo e Alma, Crónicas para caminhos de encontros humanos e divinos" com edição Apostolado de Oração, que tem um poema diferente em cada capítulo.

    É também sobre essa relação próxima com a poesia que conversamos no podcast.


    Poemas:

    Sophia de Mello Breyner Andresen, Deus Escreve Direito

    Sophia de Mello Breyner Andresen, Escuto mas não sei

    Maria Teresa Horta, No início foi a luz

    Ruy Cinatti, Anunciação

    Alexandre O' Neill, Sob a forma de mãoAdília Lopes, Só gosto de pessoas boas

    Jose Tolentino Mendonça, Nas mãos do oleiro

    Daniel Faria, Não acredito que cada um tenha um lugar

    Teresa Salgueiro, Nas ondas do mar

    20 February 2026, 6:00 am
  • 1 hour 27 minutes
    António de Castro Caeiro: "Os sentimentos constituem-se de uma forma subterrânea, clandestina. E nós reagimos a uma presença ausente."

    Esta semana recebemos António de Castro Caeiro, filósofo, especialista e professor de Filosofia Antiga, ensaísta, tradutor, e autor de vários livros, o mais recente Sobre os Sentimentos, edição Tinta da China.

    Neste episódio, gravado ao vivo na Casa do Comum no âmbito do PODES, Festival de Podcasts, damos mais atenção a 4 sentimentos - o Espanto, o Sublime, o Amor e a Esperança - , mas o livro cuida de vários outros como o Desejo, a Ira, a Nostalgia, a Melancolia e a Liberdade.

    Ao longo da conversa, António conta-nos da sua relação com a poesia e filosofia, de como os sentimentos se relacionam com a filosofia, mas também da proximidade entre filosofia e poesia.

    Escolheu alguns poemas para nos ajudar nessa reflexão:

    - Sol da Tarde, Kavafis (A par1r da versão inglesa de Lawrence Durrell)

    - Na noite clara da tua morte Pai, Miguel Martins

    - SALMO, Georg Trakl, dedicado a Karl Kraus

    - A esperança, Emily Dickinson (versão de Vasco Gato)


    13 February 2026, 6:00 am
  • 1 hour 54 minutes
    Ana Bárbara Pedrosa: "Já em criança, os meus pares eram os escritores. Eu sentia que aquela era a minha família artística e social."

    Ana Bárbara Pedrosa é escritora e crítica literária, mãe de 2 filhos gémeos, a Maria e o David, viveu e estudou em Portugal, no Brasil e nos Estados Unidos. Nos tempos livres faz desporto e viaja. Quando era criança fazia exercícios de escrita a partir de sonetos. Sempre soube que queria ser escritora e sempre leu muito, também para atingir esse objectivo: "Eu sabia que queria escrever, mas sabia também que a escrita não cai do céu, não é uma coisa que acontecia por acaso. E eu costumo comparar muito isto ao desporto. Uma criança que aos 10 anos quer futebolista, sabe que tem de ir aos treinos. E eu ia aos treinos dessa forma. tinha de me autodisciplinar de outra forma. Acho que não houve um dia da minha vida que eunão tenha escrito. "

    É autora de Lisboa, chão sagrado (2019), Palavra do Senhor (2021), Amor estragado (2023), também publicado no Brasil, e Viagens com o Mehdi (2024) – todos com chancela Bertrand Editora.Poemas:

    Maria do Rosário Pedreira – o meu mundo tem estado à tuaespera

    Eugénio de Andrade – Primeiramente

    Jorge de Sena – Pandemos

    Júlio Dinis – Lava Oculta

    Almeida Garrett – Adeus

    6 February 2026, 6:00 am
  • 1 hour 4 minutes
    Leituras com Pedro Mexia: Mark Lilla e Paulo José Miranda

    No primeiro episódio do ano da rubrica de sugestões de leitura, Pedro Mexia traz-nos duas propostas bastante diferentes.

    Por um lado, a poesia reunida de Paulo José Miranda editada recentemente pela Imprensa Nacional Casa da Moeda com o título A Salvo de Deus, por outro o livro Ignorância e Felicidade - sobre querer não saber, de Mark Lilla, com tradução de Ricardo Mangerona e edição Edições 70.

    Paulo José Miranda é poeta, contista e ficcionista. Recebeu, entre outras distinções, o primeiro Prémio José Saramago.

    Mark Lilla é professor de Humanidades na Universidade de Columbia e colaborador frequente da The New York Review of Books.

    30 January 2026, 6:00 am
  • 1 hour 55 minutes
    Samuel Úria: "Eu acho que o Cohen é o maior poeta dos músicos e o maior músico dos poetas. "

    Recebemos Samuel Úria, o trovador de patilhas, como alguém lhe chamou.

    Músico, compositor, escritor de canções, com vários discos no curriculum, alguns prémios, como o mais recente Globo de Ouro para melhor canção com 2000 A. D.

    Tem uma relação precoce com a palavra, primeiro enquanto leitor e escritor de poemas meio às escondidas. Depois, ganhou um prémio literário num concurso da escola, e as coisas passaram a ser diferentes.

    Conta-nos que ler e escrever foram das grandes descobertas da sua vida, e será também por isso que algumas letras que vem fazendo dialogam com poemas publicados.

    Escolheu, como costuma acontecer, alguns poemas para servirem de rede à nossa conversa, onde todos os temas são bem vindos, até religião e política.

    Poemas:

    O tempo aprazado, Ingeborg Bachmann (tradução de João Barrento)

    Miguel Duarte – Agora é que o mundo vai conhecer a peste

    Carlos Drummond de Andrade – Confissão

    Alexandre O’ Neill – Um Adeus Português

    Leonard Cohen – Take this longing (tradução de Samuel Úria)

    23 January 2026, 6:00 am
  • 1 hour 13 minutes
    Michaela Schmaedel: "Hoje a minha vida gira em torno da poesia. Hoje em dia o que eu mais quero fazer é passar a poesia."

    Michaela Schmaedel nasceu e mora em São Paulo, no Brasil. Estudou História na universidade, mas cedo começou a trabalhar como jornalista. Fez um Curso Livre de Preparação de Escritores e várias oficinas de escritas com diversos poetas brasileiros. É poeta, editora de cultura, e organizadora de eventos relacionados com divulgação literária. Tem 3 livros de poesia publicados.

    16 January 2026, 6:00 am
  • 1 hour 21 minutes
    Eduardo Sá: "Se eu mandasse, destacava a poesia da língua portuguesa e fazia uma disciplina obrigatória de poesia ao longo de toda a formação escolar. "

    "Eu acho que a primeira função de qualquer ser humano é ser mãe, seja homem ou mulher."

    Eduardo Sá é psicólogo clínico e psicanalista, professor da Universidade de Coimbra e do ISPA, em Lisboa.

    Autor de vários livros e presença regular na imprensa, assina actualmente um programa diário na rádio Observador.

    Começou cedo a ler, mas também a escrever poesia, de tal modo que quando era adolescente lhe passou pela cabeça deixar de estudar para se dedicar à escrita, porque tinha a intenção de vir a ser poeta.

    É esse o ponto de partida para esta conversa, que foi gravada ao vivo na livraria Arquivo, em Leiria.

    A partir de alguns dos poemas de que mais gosta, conversamos sobre o seu percurso e a sua vida, mas também sobre as crianças, os adolescentes e a importância da educação familiar e escolar, e, claro, sobre saúde mental.

    Poemas:

    1 - O amor como em casa - Manuel António Pina

    2 - Perdidamente - Florbela Espanca

    3 - Tabacaria - Álvaro de Campos

    4 - Quase - Mario Sa Carneiro

    5 - Para o meu coração  - Pablo Neruda

    6 - Manuel Bandeira - O ultimo poema

    7 - Eugénio de Andrade - É urgente o amor

    8 - Daniel Faria - As mulheres aspiram a casa para dentrodos pulmões

    9 - Não sei se me interessei pelo rapaz - Adília Lopes


    9 January 2026, 6:00 am
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