- 1 hour 44 minutesSara Duarte Brandão: "A Adília Lopes ensinou-me que a poesia vivia também em minha casa, vivia nas pessoas que eu conhecia, que era possível qualquer pessoa escrever um poema, ser um poema."
"A poesia serve para sermos humanos, para sermos só alma. Para não sermos aquilo que fazemos. Para quando me perguntam o que é que eu sou, eu não responder com aquilo que eu estudei e aquilo que eu faço, mas responder comos sussurros das montanhas."
Sara Duarte Brandão nasceu no Porto. em 1997. Licenciada em Design de Comunicação e Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes, é Facilitadora em Criação Artística Comunitária e doutoranda em Ciências da Educação com uma bolsa da FCT.
Escreve poesia e ficção, e os seus livros já lhe granjearam alguns prémios literários. O seu romance Quem Tem Medo dos Santos da Casa foi galardoado com o Prémio Literário Cidade de Almada – Romance (2023). Foi a vencedora da 2.ª edição do Prémio Wook Novos Autores (2025) tendo o júri destacado a forma como «revisita e transfigura os lugares-comuns da língua, atribuindo-lhes novos sentidos, com uma destreza reveladora de um invulgar talento literário».
Poemas:
— “Aprendizagens”, Ana Luísa Amaral;
— “outros amaram em mim a mulher”, Mar Becker;
— “XXXVII”, Maria da Graça Varella Cid;
— “Não somos desses que vão pelo caminho é antes ocaminho”, Adonis;
— “Mulher-Bordadora”, Maria Teresa Horta;
— “3.”, Vasco Gato;
— “13”, Alejandra Pizarnik;
— “81”, António Reis;
— “Sara”, Daniel Faria;
— “ir indo”, Joaquim Castro Caldas.
12 June 2026, 5:00 am - 2 hours 12 minutesCristina Ovídio: "Comove-me a gentileza sem palco."
A nossa convidada de hoje é a mais nova de 4 irmãos, e cresceu numa casa onde tanto havia lugar a conversas sobre ciência, brincadeiras de fazer haikus com o pai, dar explicações a crianças desfavorecidas para aprender a solidariedade, pertencer a um clube de aventuras a imitar os da Enid Blyton.
Cristina Ovídio é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas com uma pós-graduação em Multimédia, foi professora do ensino secundário, coordenadora editorial da Oficina do Livro, trabalhou como editora-executiva naPlaneta e na Clube do Autor, e moderou o programa “Original é a Cultura”, uma parceria SPA e SIC, com a escritora Dulce Maria Cardoso, o físico Carlos Fiolhais e o musicólogo Rui Vieira Nery.
Em 2017, abriu a livraria-bar Menina e Moça, em Lisboa, noCais do Sodré e é lá que leva a cabo várias atividades relacionadas com o livro e com a cultura. O clube de leitura é um exemplo, mas também conversas com autores, leituras de poesia e até, numa base regular, concertos de jazz.
Nesta conversa atravessamos a sua biografia, os seus gostos, as suas influências, as suas memórias, o seu propósito.
Poemas:
Fernando Pessoa, Nesse número do Orpheu que há-deser feito
Quase . Mário de Sá-Carneiro
Ruy Belo – E tudo era possível
Adélia Prado – Amor Feinho
Cesário Verde- Contrariedades
Adília Lopes, Só gosto das pessoas boas
António Franco Alexandre, Na lista dos teus fins venho nofim
Bernardim Ribeiro, Antre mim mesmo e mim
Federico García Lorca, Mamã. Eu quero ser de prata.
William Shakespeare, Soneto 30 (tradução de Vasco GraçaMoura), Quando em meu mudo e doce pensamento
Alexandre O’ Neill, O Poema Pouco Original do Medo
Maria do Rosário Pedreira, Se partires, não me abraces
Sophia de Mello Breyner Andresen, Soror Mariana – Beja
Matsuo Bashô, Quero ainda ver
Quando era pequena ouvia poemas ditos de cor pelo seupai, António Manuel Baptista, físico, escritor, professor e divulgador deciência, mas também um grande leitor de poesia.
5 June 2026, 5:00 am - 8 minutes 10 secondsPatrícia Baltazar: RÉ (Obra Reunida)
A poeta Patrícia Baltazar deixou-nos prematuramente em 2019, com apenas 41 anos.
Os seus poemas tinham as edições em livro esgotadas há muito tempo.
Agora, a editora Do Lado Esquerdo acaba de publicar a sua obra completa num livro chamado RÉ, que reúne não apenas os 4 livros da autora como alguns dispersos e inéditos.
De sublinhar a beleza e a sensibilidade da introdução deste volume, da autoria da filha da Patrícia, Rita Baptista. Também a ilustração do rosto de Patrícia, da autoria de Hugo Baptista, que reproduzimos na capa deste episódio.
1 June 2026, 5:00 am - 1 hour 10 minutesMaria Luiza Jobim: "“A minha experiência é que música e a arte estavam lá e eu cheguei depois. Então, não foi a música que chegou até mim.”
Maria Luiza Jobim nasceu no Rio de Janeiro, em 1986 mas foi viver para Nova Iorque ainda bebé onde esteve até aos 4 anos. Filha de António Carlos Jobim, cresceu numa casa com música e músicos, ensaios que viravam palco. Demorou a decidir-se a assumir a sua voz musical, mas quando o fez estreou-se com um disco que, precisamente, homenageia essa infância. Casa Branca era também o nome da sua casa de infância, e sobre isso também falamos no podcast.
A primeira vez que visitou Portugal foi para acompanhar o pai, quando Tom Jobim veio tocar ao Mosteiro dos Jerónimos, na década de 90. Mais tarde, a mãe comprou uma casa no Estoril, e também por causa disso a sua relação com o nosso país é próxima há muito tempo. O ano passado mudou-se com a filha, e decidiu ficar.
A família, a infância, o legado e as memórias do pai, a decisão de abandonar a arquitetura para se dedicar apenas à música, a carreira, a relação com Lisboa, são alguns dos temas que atravessam esta conversa.
Poemas:
Trecho de “Ligue os Pontos” Gregório Duvivier
Trecho “Fevereiro”, Matilde Campilho
Allen Ginsberg , My Sad Self
Quedei em altas , Ana Paula Vulcão
Caçada , Ana Martins Marques
29 May 2026, 5:00 am - 1 hour 2 minutesLeituras com Pedro Mexia: "O livro chama-se Velas de Ignição porque realmente há qualquer coisa que se vai acendendo nos poemas. Uma ideia, uma imagem, uma mistura de sensações."
Durs Grünbein e Siri Hustvedt são os dois autores escolhidos por Pedro Mexia para a rubrica de sugestões de leitura deste mês.
Ele, poeta alemão, considerado um dos nomes maiores da poesia alemã contemporânea; ela, escritora norte-americana e viúva do escritor Paul Auster, que morreu em Abril de 2004.
O livro de Durs Grünbein que destacamos chama-se Velas de Ignição, tem tradução de Maria Teresa Dias Furtado e edição Edições do Saguão.
O livro de Siri Hustvedt chama-se Fantasmas, Um Livro de Memórias, tem tradução de Tânia Ganho e edição D. Quixote. É um livro de memórias, mas também um livro sobre o luto, que inclui reflexões, cartas, entradas de diário, notas biográficas, de uma mulher que viveu com Paul Auster durante 43 anos e que, como nos conta, precisou de escrever este livro no processo de luto pelo marido, desaparecido em 2024.
Como costuma acontecer, outros autores surgem na conversa com Pedro Mexia. Por exemplo, Hans Magnus Enzensberger, Paul Celan, Bertolt Brecht, Gottfried Benn, Vasco GraçaMoura, Friedrich Hölderlin, Rainer Maria Rilke, Franz Kafka, Wallace Stevens, T.S. Eliot, E.E.Cummings, Herberto Helder, Joan Didion, C. S. Lewis, Jenny Erpenbeck ou Lydia Davis.
22 May 2026, 5:00 am - 10 minutes 26 secondsComeçar a semana com poesia: Bukowski, Rilke e António José Forte
Três leituras sobre a arte de escrever para começar a semana.
Charles Bukowski, Rainer Maria Rilke e António José Forte.
Livros:
Bukowski: Os Cães Ladram Facas, tradução de Rosalina Marshall, edição Alfaguara
Rilke: Cartas a um Jovem Poeta, tradução de Isabel Castro Silva, edição Quasi
António José Forte, Uma Faca nos Dentes, edição Antígona
18 May 2026, 5:00 am - 2 hours 2 minutesMiguel Gonçalves Mendes:"A poesia serve de plataforma de empatia para nós ocuparmos o lugar do outro."
Miguel Gonçalves Mendes é um dos realizadores portugueses mais reconhecidos pelo seu trabalho dentro e fora de portas, e para isso muito contribuíram os filmes que fez com Mário Cesariny, José Saramago e Pilar del Rio ou Eduardo Lourenço.
Daqui a poucas semanas estreia mais um dos seus documentários, desta vez com o escritor Valter Hugo Mãe, que Miguel acompanhou ao longo de vários anos e em distintas geografias, enquanto era escrito o livro A Desumanização.
De Lugar Nenhum é o pretexto para conhecermos melhor Miguel Gonçalves Mendes através dos seus filmes, mas também dos seus livros e dos seus autores.
Ficamos a saber, por exemplo, que mantém um diários desde os 6 anos; que tem medo de voar, mas ainda assim o faz; que se comove com os livros e com os filmes, e que acredita que quem não chora com os livros 'não está a ler bem', que só faz documentários sobre pessoas que admira, e que está há 10 anos a procurar o sentido da vida através de um projeto que inclui vários filmes, onde se inclui este De Lugar Nenhum.
Poemas
Luís de Camões – Amor é fogo que arde sem se ver
Mário Cesariny – Autografia
Mário Cesariny – Em todas as ruas te encontro
Mário Cesariny –You are welcome to Elsinore
Valter Hugo Mãe – Venho para te cortar os dedos
15 May 2026, 5:00 am - 5 minutes 21 secondsComeçar a semana com poesia: Ricardo Reis/Fernando Pessoa
Ricardo Reis é um dos 3 principais heterónimos de Fernando Pessoa, e são dele os 3 poemas que vos leio para começar(mos) a semana com poesia. São belíssimos.
Bom dia!
11 May 2026, 5:00 am - 1 hour 7 minutesAfonso Borges: "O lugar da leitura tornou-se o meu lugar de residência."
Afonso Borges é programador cultural, jornalista, escritor, poeta, nascido em Belo Horizonte, em 1962.
Criou o projeto Sempre um Papo há 40 anos - um festival literário em Belo Horizonte, por onde passaram e passam muitos autores brasileiros, mas também portugueses. Intimamente ligado à leitura, acredita na possibilidade de transformação através dos livros, mas também dos encontros, e partilha algumas dessas histórias connosco.
Esteve em Portugal para lançar o livro Noites Brancas pela editora Nós, um dos temas da conversa no podcast para onde, como costuma acontecer, trouxe alguns dos poemas de que mais gosta.
Poemas:
"A Máquina do Mundo", Carlos Drummond de Andrade
"Breve Elegia", Mário Faustino
"Chega um dia", Thiago de Mello
"Poema sujo", Ferreira Gullar
"Que país é este?", Affonso Romano de Santanna
8 May 2026, 5:00 am - 4 minutes 46 secondsDia da Mãe: poema de Jorge Sousa Braga lido por Raquel Marinho
Para assinalar o Dia da Mãe, Raquel Marinho lê o poema Diário de Bordo, de Jorge Sousa Braga, publicado no livro O Poeta Nu, edição Assírio & Alvim.
É um diário, como o nome indica, do que pode ser a viagem do bebé dentro da barriga da mãe.
3 May 2026, 5:00 am - 1 hour 7 minutesEduardo Quive:"Eu acho que estou a fazer livros, mas o que eu gosto mais é de jornais."
Eduardo Quive em 1991, na cidade da Matola, província de Maputo, em Moçambique. É escritor e jornalista, e também curador e produtor de eventos literários, çevando a cabo, por exemplo, oficinas de escrita e leitura em colaboração com várias instituições e organizaçõesComeçou por publicar poesia e contos, e acaba de se estrear no romance com o livro A Cor da Tua Sombra, em Portugal editado pela Desmuro.
Poemas:
Conceição Lima, Quando o Luar
Noémia de Sousa, Poesia, não venhas!
Hirondina Joshua, Os ângulos da casa
1 May 2026, 5:00 am - More Episodes? Get the App