• 1 hour 56 minutes
    Ricardo Ribeiro: "A poesia é sem para quê e sem porquê. A poesia serve. Serve o outro, serve o olhar, o extraordinário, serve a vida. "

    É conhecido por Sr. Teste, nome da editora que divide com Catarina Domingues, mas chama-se Ricardo Ribeiro.

    Começou a ler precocemente, tudo o que apanhava, sobretudo na biblioteca da Escola Secundária de Massamá (que tinha livros, para uma biblioteca escolar e nas palavras de Ricardo Ribeiro, fora do comum).

    Quando era adolescente, ajudava o pai a construir cenários para televisão e teatro, mas sempre que podia fugia para o carro e ficava a ler. Foi nesse contexto que conheceu uma pessoa com quem haveria de "trocar cromos" sobre livros, a mesma que lhe deu a dica para um primeiro emprego numa livraria chamada Clepsidra.

    O primeiro contacto com leitores foi nessa altura, quando andava na casa dos 20, e alguns desses antigos clientes ainda hoje o procuram para pedir ajuda com o livro A ou B.

    Trabalhou depois em mais livrarias, até se dedicar exclusivamente a encontrar livros raros para leitores urgentes.

    Entretanto, nasceu o Sr. Teste, um projeto editorial que leva a cabo com Catarina Domingues, "uma ideia louca de editar autores que nos são íntimos e caros, e torná-los acessíveis da melhor forma possível ao leitor.".

    Para a nossa conversa trouxe:

    Herberto Helder, O Amor em Visita

    Philip Lamantia, Visão Nocturna

    Robert Bringhurst, A Beleza das Armas

    Luiza Neto Jorge, um dia acorda-se

    Mário Cesariny, You are welcome to elsinore


    2 October 2026, 5:00 am
  • 2 hours 14 minutes
    Jorge Palma: "Comove-me sentir que não sou capaz de ajudar gente muito magoada."

    Recuperamos a conversa que tivemos com Jorge Palma em Janeiro de 2024, emitida em semanas diferentes, agora num único episódio.

    É uma forma de tornarmos mais acessível este registo belíssimo, e também de o homenagearmos e recordarmos.

    Como costuma acontecer aqui, trata-se de uma entrevista de vida com pontos de paragem obrigatórios nos poemas que o marcaram mais. Neste caso, alguns dos poemas transformaram-se em canções.

    "Eu apodero-me das tais variadíssimas coisas eacontecimentos e pessoas e absorvo-as e transmito-as. Depois, as coisas que passam pelo meu filtro e surgem depois, no papel, na gravação, saem completamente diferentes já daquelas que eu tinha absorvido. Há um trabalho de adaptação e de imaginação. Às vezes o resultado é completamente diferente da fonte."


    23 September 2026, 10:55 am
  • 1 hour 50 minutes
    Marisa Liz: "Eu nunca teria tido filhos se eu não tivesse percebido que podia ser feliz."

    "Eu só tive filhos porque existe música. – Porquê? porquesenão eu não tinha sonhado, não tinha acreditado que era possível ser feliz. A música salvou-me."

    Conhecemo-la por Marisa Liz, chama-se Marisa Pinto Oliveira Pinto, e nasceu em Lisboa em 1982.

    No 9º ano disse à mãe que passaria de ano se a seguir pudesse ir estudar música, e foi assim que chegou à EPMA - Escola Profissional de Música de Almada.

    Demorou a aprender a ler, a aprender as coisas ao ritmo da maioria dos colegas, e na altura não sabia que a origem dessas dificuldades estava no diagnóstico que chegaria muitos anos mais tarde, já adulta.

    Recorda com carinho o colega de carteira de escola que a safava das investidas dos professores, soletrando-lhe ao ouvido as palavras certas, a pessoa que nunca mais viu e que realmente a ensinou a ler. Chama-se Orlando. Quem sabe está a ler isto agora.

    Vem ao podcast a pretexto do seu mais recente disco, Relatos de um Coração Confuso", o que nos serviu também de pretexto para conhecer as suas influências musicais, essas que remontam à adolescência quando ouvia The Doors ou António Variações vezes sem conta, usava a franja a tapar o rosto porque era tímida, e queria estudar Música e Filosofia.

    No final do podcast, temos um bónus. Terão de escutar para saber de que se trata :)

    Poemas:

    Florbela Espanca, Conto de Fadas

    Florbela Espanca, Em Busca do Amor

    Florbela Espanca, Amiga

    Manuel Alegre, Amor somente

    Paulo Mendonça, Velha Louca

    Paulo Mendonça, Paradoxo

    18 September 2026, 5:00 am
  • 1 hour 37 minutes
    Daniel Jonas: "A escrita é certamente da ordem da obsessão porque é um confronto comigo próprio grande."

    Segundo episódio do ciclo Alguns Gostam de Poesia, uma parceria d' O Poema Ensina a Cair com a Biblioteca Municipal Florbela Espanca, em Matosinhos.

    Desta vez, gravámos ao vivo com Daniel Jonas, escritor, tradutor, professor e dramaturgo, vencedor de vários prémios literários com a sua obra poética e de tradução, mas também, mais recentemente, com a sua incursão na prosa e o livro A Justa Desproporção, vencedor do Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários da APE.

    Como costuma acontecer, ancorámos a conversa nalgumas escolhas literárias do nosso convidado - Shakespeare, Wirdsworth, Yeats ou Ruy Belo - mas também nalguns poemas de sua autoria, onde se inclui um inédito que sairá no próximo livro.

    Ficámos a saber que na poesia, poderemos contar com um livro chamado Belas Execuções, e na prosa com um segundo volume de A Justa Desproporção, a que dará o nome A Injusta Proporção.

    14 September 2026, 5:00 am
  • 1 hour 25 minutes
    Leituras com Pedro Mexia: Novalis, John Keats e Gioacomo Leopardi

    "O que é que era importante para estes poetas todos, sobretudo os românticos? Era que a categoria fundamental não apenas do artista, mas do estar no mundo, era a imaginação."


    No regresso de férias da rubrica de sugestões de leitura, Pedro Mexia sugere-nos três livros que saíram recentemente de três poetas românticos: Novalis, John Keats e Giacomo Leopardi.


    Hinos â Noite, de Novalis, com tradução de João Barrento e edição Miguel Castro; Poeta-Camaleão, de John Keats, com edição e tradução de Ricardo Marques e edição Hampstead, e Cantos, de Gioacomo Leopardi, com tradução e comentários de Jorge Vaz de Carvalho, prefácio de João Bigotte Chorão e posfácio de Mariagrazia Russo, e edição Assírio & Alvim.

    11 September 2026, 5:00 am
  • 2 hours 1 minute
    Adolfo Mesquita Nunes: "O meu quotidiano é muito solar, é muito feito do lado positivo de olhar para as coisas."

    "Uma pessoa que não amou é uma pessoa que não viveu."

    Adolfo Mesquita Nunes nasceu na Covilhã, em 1977. É advogado, com trabalho nas aéreas da regulação e da Inteligência Artificial. Licenciado em Direito e Mestre em Ciências Jurídico-Políticas. Foi deputado à Assembleia da República (2011-2013) e Secretário de Estado do Turismo (2013-2015).

    Para esta conversa, trouxe alguns dos poemas de que mais gosta que nos ajudaram, apesar das reservas iniciais por ser sobretudo leitor de ficção e não de poesia, a fazer uma cartografia pessoal do homem, muito além da profissão que tem ou dos cargos políticos que exerceu.

    Poemas

    Al Berto, Recado

    José Tolentino Mendonça, A Alegria

    Eugénio de Andrade, As Amoras

    E. M. de Melo e Castro, Uma Chama não Chama a mesma Chama

    Ary dos Santos, Estrela da Tarde

    Sophia de Mello Breyner Andresen, Coral

    Alberto Caeiro/ Fernando Pessoa, Quando vier a Primavera

    Ana Luísa Amaral, Imagens

    Nuno Júdice, Primeiro Poema

    4 September 2026, 5:00 am
  • 24 minutes 52 seconds
    O Maias - Francisco José Viegas

    Os Maias, de Eça de Queiroz é um dos romances mais importantes da literatura portuguesa, seguramente o mais importante do século XIX, e chega de novo às livrarias com uma proposta diferente.

    Trata-se de uma edição especial com códigos QR, que permitem aos leitores verificarem as inúmeras referências do romance durante a experiência de leitura.

    Uma inovação que poderá, quem sabe, ser muito útil aos jovens do ensino secundário que se encontrarão com o romance mais cedo ou mais tarde e a quem, certamente, escaparão algumas das referências sociais, históricas, sociológicas ou culturais.

    Por exemplo, quem é Guizot? E Gambetta? O que é o lausperene? De que cor era o véu de Dâmaso de Salcede? O que comeu João da Ega no Tavares? Em que local e circunstância Carlos da Maia viu Maria Eduarda pela primeira vez?

    Nesta conversa com o editor da Quetzal, Francisco José Viegas, ficamos a conhecer as motivações para este projeto, desvendamos as respostas a algumas das perguntas, e percebemos por que razão este livro é, ainda hoje, um clássico.


    31 July 2026, 5:00 am
  • 1 hour 47 minutes
    Valter Hugo Mãe: "A arte e a cultura servem para nos conferir identidade e para nos juntar. Criam a impressão de pertença."

    Valter Hugo Mãe assinala este ano 30 anos de escrita literária, sendo que nos primeiros 9 publicou apenas poesia e que quando era criança queria ser poeta. É por aí que começamos esta conversa onde, como costuma acontecer, atravessamos parte da sua biografia.

    Falamos sobre a infância e a "pressa" de crescer, os livros (os que escreve e os que lê), a importância da Literatura, da poesia; mas também sobre, por exemplo, a adoção em Portugal ou as mudanças na forma como comunicamos uns com os outros.

    E conversamos também, naturalmente, sobre O Século dos Imbecis, o seu mais recente livro, edição Porto editora. Parte desta entrevista foi publicada na revista Somos Livros, da Bertrand.


    Poemas:

    Adelia Prado – Casamento

    Eduardo Pitta – está um rapaz a arder em cima do muro

    María Paz Gerrero – Deus come presunto

    Claúdia R. Sampaio – Uma vez quiseram-me louca a arder



    24 July 2026, 5:00 am
  • 2 hours 40 seconds
    Pedro Eiras: "Desde há muito muito tempo eu ando a procura de entender como é que isto funciona. Isto de um por um estranho capricho haver seres humanos que escrevem livros."

    Poeta, ensaísta, ficcionista, investigador, professor de Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Pedro Eiras lançou recentemente o livro Nevoeiro, uma investigação, Assírio & Alvim.

    É um regresso do autor ao universo pessoano, desta vez para perscrutar as relações entre a Literatura e o Poder durante um determinado período do Estado Novo.

    As personagens principais deste livro, que reúne documentos e factos reais, mas também elementos ficcionados, são Fernando Pessoa, António Oliveira Salazar e António Ferro, mas também o nevoeiro. O daquela altura e aquele que o autor reconhece nos tempos de hoje.

    Chamada de atenção especial para as belíssimas e comoventes leituras deste episódio.

    Poemas:

    Camilo Pessanha, Vida

    Mário de Sá-Carneiro – O Recreio

    Álvaro de Campos/ Fernando Pessoa - Mestre, meu mestre querido!

    Sophia de Mello Breyner Andresen, O Poema

    Luiza Neto Jorge, A porta aporta

    Herberto Helder, Sopa Superlativa

    17 July 2026, 5:00 am
  • 1 hour 16 minutes
    Filipa Leal: Sem os criadores a vida seria um lugar com muito menos imaginação."

    O podcast O Poema Ensina a Cair começou este mês um ciclo de gravações ao vivo na Biblioteca Municipal de Matosinhos, Chamámos-lhe Alguns Gostam de Poesia, em homenagem à poeta Wislawa Szymborska.

    A primeira gravação deste ciclo, que decorrerá a cada 2 meses, foi com a poeta Filipa Leal.

    Nasceu no Porto em 1979. Tem 16 livros publicados (desde 2003), entre os quais "Vem à Quinta-feira” (já na 6ª edição) e “Fósforos e Metal sobre Imitação de Ser Humano” (na 3ª edição), ambos finalistas do Prémio Correntes d’Escritas e semifinalistas do Prémio Oceanos.

    A sua obra está editada em Espanha, no Brasil, na Colômbia, em França (com a plaquete “La Ville Oubliée”), na Polónia, noLuxemburgo e na Grécia, e representada em várias antologias em Portugal e no estrangeiro.

    É formada em Jornalismo pela Universidade de Westminster (Londres) e Mestre em Estudos Portugueses e Brasileiros pela Faculdade de Letras do Porto, aonde voltou em 2013 para uma formação em escrita de argumento.

    Como argumentista, destaque para o guião do filme “Jogo de Damas”, com a realizadora Patrícia Sequeira, que estreou noLeffest em 2015 (Prémio de Melhor Guião nos Festivais de Cinema do Chipre e de Copenhaga); e para a série “Mulheres Assim” (2016), na RTP1.

    Há mais de 15 anos que colabora em programas de televisão dedicados à literatura.

    Para esta conversa com Raquel Marinho trouxe, como costuma acontecer com todos os convidados, alguns dos poemas de que mais gosta, mas fez, como explicou, uma escolha política. Terão de escutar o episódio para perceber o que isto significa

    Trouxe também, o que muito agradecemos, alguns poemas inéditos que sairão no próximo livro.

    13 July 2026, 7:01 am
  • 1 hour 14 minutes
    Margarida Balseiro Lopes: "O Torga é o escritor lá de casa, o poeta é o Eugénio de Andrade, a poetisa é a Sophia."

    Margarida Balseiro Lopes nasceu na Marinha Grande, em 1989. Pensou seguir os passos do pai e ser jornalista, mas acabaria por estudar Direito, numa altura em que já fazia parte da JSD, partido onde se inscreveu aos 15 anos, depois de uma conversa com uma colega numa aula de Francês.

    Foi a mais nova deputada na legislatura em que se estreou, a primeira mulher líder da JSD, e é hoje a mais jovem de sempre no cargo de ministra - atualmente da Cultura, Juventude e Desporto, tendo sido antes Ministra da Juventude eModernização.

    Nesta conversa, ancorada nalguns dos poemas de que mais gosta, atravessamos parte da sua biografia, dos seus gostos, e de algumas políticas culturais.

    Poemas:

    "Porque" - Sophia de Mello Breyner Andresen

    "Cântico Negro" - José Régio

    "Viver Sempre Também Cansa" - José Gomes Ferreira

    "Adeus"- Eugénio de Andrade

    "Só gosto de pessoas boas" - Adília Lopes


    11 July 2026, 5:00 am
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