Perseguindo a ideia de Lawrence Ferlinghetti - "a poesia é a distância mais curta entre duas pessoas" - esperamos, através das escolhas poéticas dos nossos convidados, ficar mais perto deles e conhecê-los melhor. Usamos o verso de Luiza Neto Jorge “O Poema Ensina a Cair” para dar título a este podcast sobre os poemas da vida dos nossos convidados. Um projecto da autoria de Raquel Marinho. "Melhor podcast de Arte e Cultura" pelo Podes 2021 - Festival de Podcasts.
Cantora, compositora, instrumentista, produtora e letrista, Rita Redshoes começou por integrar uma banda ainda adolescente enquanto baterista, e só mais tarde descobriu que sabia cantar. Estudou música e psicologia, vive no campo com 3 gatos e 3 galinhas, e acaba de lançar o primeiro single do seu novo álbum. Chama-se 'A Tua Trança', tem letra de Márcia, e é uma homenagem às mulheres.
É mãe da Rosa, com quem descobriu outras dimensões, não apenas de ser humana, mas também de ser artista, e também sobre isso conversamos neste episódio, que acolhe as escolhas poéticas da Rita para através delas a conhecermos melhor.
Poemas:
Adília Lopes, Bichos
Filipa Leal, Apocalipse Now
Sérgio Vaz, Acho que a gente perdeu a voz
Pedro Mexia, Eu Amo
Manuel António Pina, As Vozes
Cecília Meireles, Apresentação
Raquel Serejo Martins, Sinto-me enjoada do mundo
Natália Correia, O sonho e a vida
Ricardo Marques é poeta, antologiador, investigador, e tradutor. Traduziu para português, entre dezenas de outros poetas, Anne Carson, Billy Collins e Patti Smith.
Nasceu em Sintra, em 1983, e viveu até aos 23 anos entre o subúrbio de Sintra e a zona de Abrantes, de onde vem a família materna e parte da família paterna.
Doutorado em Estudos Portugueses pela FCSH-UNL (2010), onde desenvolveu pós-doutoramento no IELT sobre revistas literárias do Modernismo (2015-21).
De entre alguns ensaios publicados, destaca-se o volume Tradição e Vanguarda: As Revistas Literárias do Modernismo Português (1910-1926), ed. Biblioteca Nacional de Portugal (2020), bem como a antologia de poesia portuguesa contemporânea Já não dá para ser moderno: seis poetas de agora, ed. Flan de Tal (2021).
Prosa: Maria Gabriela Llansol - Finita
Poemas:
Konstantinos Kavafis - dias de 1901/ veio ficar/ Recorda corpo LIVRE CURTO
Theodore Roethke - The Waking VILLANELLE
Dylan Thomas - Elegy ELEGIA
Peter Handke – Poema à duração POEMA ENSAIO
Meendinho - Sediam’eu na ermida de San simion CANTIGA
Camões - Esparsa ao desconcerto do mundo ESPARSA
Francisco Rodrigues Lobo - ‘Como passarei eu sem
"E, portanto, essa ideia de aquilo que se diz ser apenas umapequena parte daquilo que se quer dizer foi muito importante na literatura do século XX."
Na rubrica de sugestões de leitura deste mês, Pedro Mexia sugere Ernest Hemingway, Contos Completos, edição Livros de Brasil.
Na segunda parte do podcast, dedicamo-nos a alguns poetas brasileiros, vários contemporâneos e que não apenas estão publicados em Portugal, como dialogam com a poesia portuguesa nos seus livros. Por exemplo, António Cícero, Régis Bonvicino, Armando Freitas Filho, Michaela Schmaeadel, Leonardo Gandolfi, Marília Garcia, Ana Martins Marques, Eucanãa Ferraz ou Fabiano Calixto,
Como costuma acontecer, muitas outras referências aparecem nesta conversa, sejam autores, realizadores de cinema ou pintores:
Raymond Carver, Albert Camus, Annie Ernaux, James Joyve, Eça de Queiroz, Tomas Mann, William Faulkner, J. D. Salinger, F. Scott Fitzgerald, Camilo Castelo Branco, Alice Munro, Saul Bellow, Graham Greene. Fritz Lang, Marcel Proust, Henry James, William Shakespeare, Federico García Lorca, Luis Buñuel, Salvador Dalí, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Arnaldo Antunes, Sophia de MelloBreyner, Adília Lopes, Ana Cristina Cesar, Gregório Duvivier, Marianne Moore, Nuno Artur Silva, Rosa Maria Martelo, Fabiano Calixto ou Eucanãa Ferraz,
No Dia Mundial da Poesia deste ano, cedemos o microfone aos poetas para os ouvir ler em voz alta.
São ao todo 51 autores; alguns trazem poemas inéditos. Obrigada a todos por terem aceitado participar deste episódio.
As entradas no podcast estão por ordem alfabética, tal como aqui:
A. M. Pires Cabral (poema inédito), Ana Paula Inácio, André Tecedeiro, Andreia C. Faria, António Amaral Tavares, Carla Louro, Catarina Nunes de Almeida, Cláudia Lucas Chéu, Cláudia R. Sampaio (poema inédito), Daniel Jonas, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Fernando Pinto do Amaral, Filipa Leal, Francisca Camelo, Francisco José Viegas, Helder Macedo, Hélia Correia, Inês Francisco Jacob, Inês Dias, Inês Fonseca Santos, Inês Lourenço, Jaime Rocha, Jorge Gomes Miranda (poema inédito), Jorge Roque (poema inédito), Jorge Sousa Braga, José Carlos Barros, João Bosco da Silva, João Paulo Esteves da Silva, Luís Filipe Castro Mendes, Margarida Vale de Gato (poema inédito), Maria do Rosário Pedreira, Maria Sousa, Miguel Cardoso (poema inédito), Miguel-Manso, Miguel Martins, Paola d’ Agostino, Paula Tavares (poema inédito), Paulo José Miranda, Pedro Braga Falcão (poema inédito), Pedro Mexia (poema inédito) , Pedro Rapoula (poema inédito), Raquel Nobre Guerra, Raquel Serejo Martins (poema inédito), Regina Guimarães, Renata Correia Botelho, Ricardo Marques, Rita Taborda Duarte, Rosa Oliveira, Rui Lage, Tatiana Faia, Vasco Gato.
Cresceu numa casa de portas abertas a família e amigos, com livros por todo o lado, uma mãe, Maria Barroso, que dizia poesia pelo país - também como forma de resistir à ditadura de Salazar - e um pai, Mário Soares, fundador da democracia portuguesa, muitas vezes ausente por motivos políticos e pelas várias passagens pelas prisões de Caxias ou do Aljube.
Isabel Soares nasceu em 1951. Chegou a pensar ser médica, passou pelo jornalismo, mas acabaria por abraçar a gestão do Colégio Moderno a pedido do pai e da mãe quando Mário Soares decidiu candidatar-se a Presidente da República.
É esse o seu projeto de vida - aos 75 anos ainda trabalha todos os dias - e orgulha-se muito dos seus alunos, também pela liberdade cívica e intelectual que preconiza para a escola que dirige. "Terem a cabeça aberta e pensarem pela sua cabeça", como explica.
Não se lembra da sua vida sem poesia porque a mãe, Maria Barroso, não apenas "embalava" os filhos a dizer poemas e mais tarde os levava aos recitais pelo país, como amiúde citava poemas de cor no meio das conversas. Ao mesmo tempo, alguns dos amigos da família Soares eram poetas, escritores ou pintores, que frequentavam a casa e os serões da casa, a que Isabel gostava de assistir.
Considera que memória é identidade e é sobretudo a memória que nos guia ao longo desta conversa. Os poemas são um pretexto para a conhecermos melhor, e também, por maioria de razão, aos seus pais que, de certa forma, se juntam a nós.
Poemas:
Matilde Rosa Araújo – Nascer
Ruben Dario – Não ouves cair as gotas da minha melancolia
Sophia de Mello Breyner – Porque ; Há jardins evadidos deluar ; De todos os cantos do mundo ; Quando o meu corpo adormecer e eu for morta
Jorge de Sena – Carta a Meus Filhos Sobre os Fuzilamentos de Goya
Alexandre O«’ Neill – Portugal
José Régio – Cântico Negro
Álvaro de Campos - Aniversário
Camilo Pessanha - Floriram por engano as rosas bravas
Antonio Machado - Caminante, no hay camino
Charles Baudelaire – As Flores do Mal
É um dos autores brasileiros do momento, e esteve em Portugal para apresentar o seu novo romance 'Coração sem Medo', o último livro da chamada trilogia da terra, iniciada com o sucesso de vendas Torto Arado - mais de 1 milhão de livros vendidos com traduções para 33 idiomas.
Ao longo desta conversa, Itamar Vieira Junior partilha alguns dos seus gostos poéticos, que são um caminho que encontramos para o conhecer melhor.
Ficamos a saber, por exemplo, que aos 9 anos já escrevia peças de teatro, que quando era adolescente ganhou coragem e bateu à porta de Jorge Amado para lhe pedir um autógrafo, ou que entre os seus autores de referência se encontra, por exemplo, Eça de Queiroz.
Poemas:
Adélia Prado – Ensinamento
Maria do Rosário Pedreira – Dorme meu amor
Vinicius de Moraes – Soneto do Amor Total
Wislawa Szymborska – Mulher de Ló
Maya Angelou - Still I Rise
Na rubrica deste mês, Pedro Mexia traz para a conversa, Partida, o último livro de Julian Barnes, tradução de Salvato Teles de Menezes, edição Quetzal, e Física Espiritual (antologia pessoal), de Rui Lage, edição Assírio & Alvim.
Esta semana recebemos o Padre Paulo Duarte, SJ.
Nasceu em Portimão, em 1979, e quando era pequeno queria ser médico veterinário. Uma perda significativa na adolescência levou-o a um encontro com a religião, que acabou por lhe decidir o destino. Trabalhou na aviação, antes de entrar na Companhia de Jesus, em 2003. É licenciado em Filosofia e em Teologia, e mestre em Teologia Fundamental.
Foi ordenado sacerdote em 2014 e fez a Terceira Provação (etapa final da formação dos jesuítas) entre novembro de 2023 e maio de 2024, no México.
É adjunto do diretor nacional da Rede Mundial de Oração do Papa – Portugal desde setembro de 2024.
Lançou recentemente um livro de crónicas chamado "De Corpo e Alma, Crónicas para caminhos de encontros humanos e divinos" com edição Apostolado de Oração, que tem um poema diferente em cada capítulo.
É também sobre essa relação próxima com a poesia que conversamos no podcast.
Poemas:
Sophia de Mello Breyner Andresen, Deus Escreve Direito
Sophia de Mello Breyner Andresen, Escuto mas não sei
Maria Teresa Horta, No início foi a luz
Ruy Cinatti, Anunciação
Alexandre O' Neill, Sob a forma de mãoAdília Lopes, Só gosto de pessoas boas
Jose Tolentino Mendonça, Nas mãos do oleiro
Daniel Faria, Não acredito que cada um tenha um lugar
Teresa Salgueiro, Nas ondas do mar
Esta semana recebemos António de Castro Caeiro, filósofo, especialista e professor de Filosofia Antiga, ensaísta, tradutor, e autor de vários livros, o mais recente Sobre os Sentimentos, edição Tinta da China.
Neste episódio, gravado ao vivo na Casa do Comum no âmbito do PODES, Festival de Podcasts, damos mais atenção a 4 sentimentos - o Espanto, o Sublime, o Amor e a Esperança - , mas o livro cuida de vários outros como o Desejo, a Ira, a Nostalgia, a Melancolia e a Liberdade.
Ao longo da conversa, António conta-nos da sua relação com a poesia e filosofia, de como os sentimentos se relacionam com a filosofia, mas também da proximidade entre filosofia e poesia.
Escolheu alguns poemas para nos ajudar nessa reflexão:
- Sol da Tarde, Kavafis (A par1r da versão inglesa de Lawrence Durrell)
- Na noite clara da tua morte Pai, Miguel Martins
- SALMO, Georg Trakl, dedicado a Karl Kraus
- A esperança, Emily Dickinson (versão de Vasco Gato)
Ana Bárbara Pedrosa é escritora e crítica literária, mãe de 2 filhos gémeos, a Maria e o David, viveu e estudou em Portugal, no Brasil e nos Estados Unidos. Nos tempos livres faz desporto e viaja. Quando era criança fazia exercícios de escrita a partir de sonetos. Sempre soube que queria ser escritora e sempre leu muito, também para atingir esse objectivo: "Eu sabia que queria escrever, mas sabia também que a escrita não cai do céu, não é uma coisa que acontecia por acaso. E eu costumo comparar muito isto ao desporto. Uma criança que aos 10 anos quer futebolista, sabe que tem de ir aos treinos. E eu ia aos treinos dessa forma. tinha de me autodisciplinar de outra forma. Acho que não houve um dia da minha vida que eunão tenha escrito. "
É autora de Lisboa, chão sagrado (2019), Palavra do Senhor (2021), Amor estragado (2023), também publicado no Brasil, e Viagens com o Mehdi (2024) – todos com chancela Bertrand Editora.Poemas:
Maria do Rosário Pedreira – o meu mundo tem estado à tuaespera
Eugénio de Andrade – Primeiramente
Jorge de Sena – Pandemos
Júlio Dinis – Lava Oculta
Almeida Garrett – Adeus
No primeiro episódio do ano da rubrica de sugestões de leitura, Pedro Mexia traz-nos duas propostas bastante diferentes.
Por um lado, a poesia reunida de Paulo José Miranda editada recentemente pela Imprensa Nacional Casa da Moeda com o título A Salvo de Deus, por outro o livro Ignorância e Felicidade - sobre querer não saber, de Mark Lilla, com tradução de Ricardo Mangerona e edição Edições 70.
Paulo José Miranda é poeta, contista e ficcionista. Recebeu, entre outras distinções, o primeiro Prémio José Saramago.
Mark Lilla é professor de Humanidades na Universidade de Columbia e colaborador frequente da The New York Review of Books.