Perseguindo a ideia de Lawrence Ferlinghetti - "a poesia é a distância mais curta entre duas pessoas" - esperamos, através das escolhas poéticas dos nossos convidados, ficar mais perto deles e conhecê-los melhor. Usamos o verso de Luiza Neto Jorge “O Poema Ensina a Cair” para dar título a este podcast sobre os poemas da vida dos nossos convidados. Um projecto da autoria de Raquel Marinho. "Melhor podcast de Arte e Cultura" pelo Podes 2021 - Festival de Podcasts.
Na rubrica deste mês, Pedro Mexia traz para a conversa, Partida, o último livro de Julian Barnes, tradução de Salvato Teles de Menezes, edição Quetzal, e Física Espiritual (antologia pessoal), de Rui Lage, edição Assírio & Alvim.
Esta semana recebemos o Padre Paulo Duarte, SJ.
Nasceu em Portimão, em 1979, e quando era pequeno queria ser médico veterinário. Uma perda significativa na adolescência levou-o a um encontro com a religião, que acabou por lhe decidir o destino. Trabalhou na aviação, antes de entrar na Companhia de Jesus, em 2003. É licenciado em Filosofia e em Teologia, e mestre em Teologia Fundamental.
Foi ordenado sacerdote em 2014 e fez a Terceira Provação (etapa final da formação dos jesuítas) entre novembro de 2023 e maio de 2024, no México.
É adjunto do diretor nacional da Rede Mundial de Oração do Papa – Portugal desde setembro de 2024.
Lançou recentemente um livro de crónicas chamado "De Corpo e Alma, Crónicas para caminhos de encontros humanos e divinos" com edição Apostolado de Oração, que tem um poema diferente em cada capítulo.
É também sobre essa relação próxima com a poesia que conversamos no podcast.
Poemas:
Sophia de Mello Breyner Andresen, Deus Escreve Direito
Sophia de Mello Breyner Andresen, Escuto mas não sei
Maria Teresa Horta, No início foi a luz
Ruy Cinatti, Anunciação
Alexandre O' Neill, Sob a forma de mãoAdília Lopes, Só gosto de pessoas boas
Jose Tolentino Mendonça, Nas mãos do oleiro
Daniel Faria, Não acredito que cada um tenha um lugar
Teresa Salgueiro, Nas ondas do mar
Esta semana recebemos António de Castro Caeiro, filósofo, especialista e professor de Filosofia Antiga, ensaísta, tradutor, e autor de vários livros, o mais recente Sobre os Sentimentos, edição Tinta da China.
Neste episódio, gravado ao vivo na Casa do Comum no âmbito do PODES, Festival de Podcasts, damos mais atenção a 4 sentimentos - o Espanto, o Sublime, o Amor e a Esperança - , mas o livro cuida de vários outros como o Desejo, a Ira, a Nostalgia, a Melancolia e a Liberdade.
Ao longo da conversa, António conta-nos da sua relação com a poesia e filosofia, de como os sentimentos se relacionam com a filosofia, mas também da proximidade entre filosofia e poesia.
Escolheu alguns poemas para nos ajudar nessa reflexão:
- Sol da Tarde, Kavafis (A par1r da versão inglesa de Lawrence Durrell)
- Na noite clara da tua morte Pai, Miguel Martins
- SALMO, Georg Trakl, dedicado a Karl Kraus
- A esperança, Emily Dickinson (versão de Vasco Gato)
Ana Bárbara Pedrosa é escritora e crítica literária, mãe de 2 filhos gémeos, a Maria e o David, viveu e estudou em Portugal, no Brasil e nos Estados Unidos. Nos tempos livres faz desporto e viaja. Quando era criança fazia exercícios de escrita a partir de sonetos. Sempre soube que queria ser escritora e sempre leu muito, também para atingir esse objectivo: "Eu sabia que queria escrever, mas sabia também que a escrita não cai do céu, não é uma coisa que acontecia por acaso. E eu costumo comparar muito isto ao desporto. Uma criança que aos 10 anos quer futebolista, sabe que tem de ir aos treinos. E eu ia aos treinos dessa forma. tinha de me autodisciplinar de outra forma. Acho que não houve um dia da minha vida que eunão tenha escrito. "
É autora de Lisboa, chão sagrado (2019), Palavra do Senhor (2021), Amor estragado (2023), também publicado no Brasil, e Viagens com o Mehdi (2024) – todos com chancela Bertrand Editora.Poemas:
Maria do Rosário Pedreira – o meu mundo tem estado à tuaespera
Eugénio de Andrade – Primeiramente
Jorge de Sena – Pandemos
Júlio Dinis – Lava Oculta
Almeida Garrett – Adeus
No primeiro episódio do ano da rubrica de sugestões de leitura, Pedro Mexia traz-nos duas propostas bastante diferentes.
Por um lado, a poesia reunida de Paulo José Miranda editada recentemente pela Imprensa Nacional Casa da Moeda com o título A Salvo de Deus, por outro o livro Ignorância e Felicidade - sobre querer não saber, de Mark Lilla, com tradução de Ricardo Mangerona e edição Edições 70.
Paulo José Miranda é poeta, contista e ficcionista. Recebeu, entre outras distinções, o primeiro Prémio José Saramago.
Mark Lilla é professor de Humanidades na Universidade de Columbia e colaborador frequente da The New York Review of Books.
Recebemos Samuel Úria, o trovador de patilhas, como alguém lhe chamou.
Músico, compositor, escritor de canções, com vários discos no curriculum, alguns prémios, como o mais recente Globo de Ouro para melhor canção com 2000 A. D.
Tem uma relação precoce com a palavra, primeiro enquanto leitor e escritor de poemas meio às escondidas. Depois, ganhou um prémio literário num concurso da escola, e as coisas passaram a ser diferentes.
Conta-nos que ler e escrever foram das grandes descobertas da sua vida, e será também por isso que algumas letras que vem fazendo dialogam com poemas publicados.
Escolheu, como costuma acontecer, alguns poemas para servirem de rede à nossa conversa, onde todos os temas são bem vindos, até religião e política.
Poemas:
O tempo aprazado, Ingeborg Bachmann (tradução de João Barrento)
Miguel Duarte – Agora é que o mundo vai conhecer a peste
Carlos Drummond de Andrade – Confissão
Alexandre O’ Neill – Um Adeus Português
Leonard Cohen – Take this longing (tradução de Samuel Úria)
Michaela Schmaedel nasceu e mora em São Paulo, no Brasil. Estudou História na universidade, mas cedo começou a trabalhar como jornalista. Fez um Curso Livre de Preparação de Escritores e várias oficinas de escritas com diversos poetas brasileiros. É poeta, editora de cultura, e organizadora de eventos relacionados com divulgação literária. Tem 3 livros de poesia publicados.
"Eu acho que a primeira função de qualquer ser humano é ser mãe, seja homem ou mulher."
Eduardo Sá é psicólogo clínico e psicanalista, professor da Universidade de Coimbra e do ISPA, em Lisboa.
Autor de vários livros e presença regular na imprensa, assina actualmente um programa diário na rádio Observador.
Começou cedo a ler, mas também a escrever poesia, de tal modo que quando era adolescente lhe passou pela cabeça deixar de estudar para se dedicar à escrita, porque tinha a intenção de vir a ser poeta.
É esse o ponto de partida para esta conversa, que foi gravada ao vivo na livraria Arquivo, em Leiria.
A partir de alguns dos poemas de que mais gosta, conversamos sobre o seu percurso e a sua vida, mas também sobre as crianças, os adolescentes e a importância da educação familiar e escolar, e, claro, sobre saúde mental.
Poemas:
1 - O amor como em casa - Manuel António Pina
2 - Perdidamente - Florbela Espanca
3 - Tabacaria - Álvaro de Campos
4 - Quase - Mario Sa Carneiro
5 - Para o meu coração - Pablo Neruda
6 - Manuel Bandeira - O ultimo poema
7 - Eugénio de Andrade - É urgente o amor
8 - Daniel Faria - As mulheres aspiram a casa para dentrodos pulmões
9 - Não sei se me interessei pelo rapaz - Adília Lopes
Quase 6 anos depois de ter sito o primeiro convidado do podcast, Alexandre Quintanilha regressa para uma conversa com Raquel Marinho, que atravessa a sua vida e o livro A Última Lição de Alexandre Quintanilha, recentemente editado pela Contraponto.
É um homem das ciências, que defende o diálogo com as outras áreas do conhecimento, e que acredita que as pessoas que têm um "conhecimento mais profundo sobre os diferentes temas, normalmente sãopessoas muito humildes."
Ao longo desta longa conversa, atravessamos a sua vida e as suas reflexões. Também aquilo que acredita que pode deixar como relfexões, e preocupações, para as gerações mais novas.
Poemas:
Na rubrica de sugestões de leitura deste mês, Pedro Mexia sugere 2 livros:
Legião Estrangeira, de Clarice Lispecto, edição Companhia das letras
Aquele Belo Rapaz, de k. P. Kaváfis, tradução de José Luís Costa, posfácio de Tatiana Faia e edição Assírio & Alvim.
Como acontece regularmente nestas conversas, muitas outras referências se juntam. Por exemplo, Fernando Pessoa, Ezra Pound, T. S. Eliot, Dino Buzzati, William Turner, Homero, Carlos Drummond de Andrade, Agustina Bessa-Luís, FerreiraGullar, Chico Buarque, Maria Bethânia, Condessa de Segur, Eça de Queiroz, Camilo Castello Branco, Franz Kafka, Charles Baudelaire, Georges Perec ou Charles Bukowski.
"Na escola, assim que percebi que havia poesia, quis logo começar a imitar. E então, na altura, as composições que eu fazia eram sempre poesia."
Madalena Sá Fernandes nasceu em Lisboa, em 1993. Licenciou-se em Línguas, Literaturas e Culturas pela Universidade Nova de Lisboa.
É cronista no jornal Público.
O seu primeiro livro, Leme, vai na 8ª edição.
Poemas:
Três, Anne Carson
Alfabeto, Inger Christensen
Para Claude, Nuno Júdice
After great pain, a formal feeling comes, Emily Dickinson
Homenagem à Literatura, Fiama Hasse Pais Brandão
O Problema da Habitação, Ruy Belo