- 2 hours 40 secondsPedro Eiras: "Desde há muito muito tempo eu ando a procura de entender como é que isto funciona. Isto de um por um estranho capricho haver seres humanos que escrevem livros."
Poeta, ensaísta, ficcionista, investigador, professor de Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Pedro Eiras lançou recentemente o livro Nevoeiro, uma investigação, Assírio & Alvim.
É um regresso do autor ao universo pessoano, desta vez para perscrutar as relações entre a Literatura e o Poder durante um determinado período do Estado Novo.
As personagens principais deste livro, que reúne documentos e factos reais, mas também elementos ficcionados, são Fernando Pessoa, António Oliveira Salazar e António Ferro, mas também o nevoeiro. O daquela altura e aquele que o autor reconhece nos tempos de hoje.
Chamada de atenção especial para as belíssimas e comoventes leituras deste episódio.
Poemas:
Camilo Pessanha, Vida
Mário de Sá-Carneiro – O Recreio
Álvaro de Campos/ Fernando Pessoa - Mestre, meu mestre querido!
Sophia de Mello Breyner Andresen, O Poema
Luiza Neto Jorge, A porta aporta
Herberto Helder, Sopa Superlativa
17 July 2026, 5:00 am - 1 hour 16 minutesFilipa Leal: Sem os criadores a vida seria um lugar com muito menos imaginação."
O podcast O Poema Ensina a Cair começou este mês um ciclo de gravações ao vivo na Biblioteca Municipal de Matosinhos, Chamámos-lhe Alguns Gostam de Poesia, em homenagem à poeta Wislawa Szymborska.
A primeira gravação deste ciclo, que decorrerá a cada 2 meses, foi com a poeta Filipa Leal.
Nasceu no Porto em 1979. Tem 16 livros publicados (desde 2003), entre os quais "Vem à Quinta-feira” (já na 6ª edição) e “Fósforos e Metal sobre Imitação de Ser Humano” (na 3ª edição), ambos finalistas do Prémio Correntes d’Escritas e semifinalistas do Prémio Oceanos.
A sua obra está editada em Espanha, no Brasil, na Colômbia, em França (com a plaquete “La Ville Oubliée”), na Polónia, noLuxemburgo e na Grécia, e representada em várias antologias em Portugal e no estrangeiro.
É formada em Jornalismo pela Universidade de Westminster (Londres) e Mestre em Estudos Portugueses e Brasileiros pela Faculdade de Letras do Porto, aonde voltou em 2013 para uma formação em escrita de argumento.
Como argumentista, destaque para o guião do filme “Jogo de Damas”, com a realizadora Patrícia Sequeira, que estreou noLeffest em 2015 (Prémio de Melhor Guião nos Festivais de Cinema do Chipre e de Copenhaga); e para a série “Mulheres Assim” (2016), na RTP1.
Há mais de 15 anos que colabora em programas de televisão dedicados à literatura.
Para esta conversa com Raquel Marinho trouxe, como costuma acontecer com todos os convidados, alguns dos poemas de que mais gosta, mas fez, como explicou, uma escolha política. Terão de escutar o episódio para perceber o que isto significa
Trouxe também, o que muito agradecemos, alguns poemas inéditos que sairão no próximo livro.
13 July 2026, 7:01 am - 1 hour 14 minutesMargarida Balseiro Lopes: "O Torga é o escritor lá de casa, o poeta é o Eugénio de Andrade, a poetisa é a Sophia."
Margarida Balseiro Lopes nasceu na Marinha Grande, em 1989. Pensou seguir os passos do pai e ser jornalista, mas acabaria por estudar Direito, numa altura em que já fazia parte da JSD, partido onde se inscreveu aos 15 anos, depois de uma conversa com uma colega numa aula de Francês.
Foi a mais nova deputada na legislatura em que se estreou, a primeira mulher líder da JSD, e é hoje a mais jovem de sempre no cargo de ministra - atualmente da Cultura, Juventude e Desporto, tendo sido antes Ministra da Juventude eModernização.
Nesta conversa, ancorada nalguns dos poemas de que mais gosta, atravessamos parte da sua biografia, dos seus gostos, e de algumas políticas culturais.
Poemas:
"Porque" - Sophia de Mello Breyner Andresen
"Cântico Negro" - José Régio
"Viver Sempre Também Cansa" - José Gomes Ferreira
"Adeus"- Eugénio de Andrade
"Só gosto de pessoas boas" - Adília Lopes
11 July 2026, 5:00 am - 47 minutes 3 secondsLeituras com Pedro Mexia: Lydia Davis, Susan Sontag e John Berger
Na rubrica Leituras com Pedro Mexia deste mês Pedro Mexia traz-nos dois livros: Quando me Perguntam Porque Escrevo, de Lýdia Davis, com tradução de Maria do Carmo Figueira e edição Zigurate, e Contar uma História, de Susan Sontag e John Berger, com edição de Benoit Bourreau, tradução de Alda Rodrigues e edição Relógio D' Água.
Duas propostas distintas que, no entanto, dialogam.
Como costuma acontecer, várias outras referências aparecem na conversa. Por exemplo, Mary McCarthy, Thomas Mann, Raymond Carver, Gore Vidal, NormanMailer, Wallace Stevens, Samuel Beckett, James Joyce, Seamus Heaney, FrançoisVillon, John Ashbery, Raymond Carver, Dante Alighieri, Karl Ove Knausgård, Knut Hamsun, Gustave Flaubert ou Herman Melville.
30 June 2026, 5:00 am - 1 hour 43 minutesAntónio Pinto Ribeiro: ". Eu acho que a poesia é necessária à vida. Não se pode viver sem poesia, como não se pode viver sem uma boa alimentação, como não se pode viver sem passear. "
O pretexto para esta conversa é o livro recentemente editado O Poder da Cultura, Questões Permanentes, edição Temas e Debates.
António Pinto Ribeiro guia-nos por algumas dessas questões e reflexões que atravessam o livro, mas também por parte da sua biografia, da sua relação com a arte, com o conhecimento, a Filosofia ou a poesia, que também está presente neste livro.
Ficamos a saber, por exemplo, que ainda na adolescência organizou um recital de poesia na região do Douro, onde passava as férias grandes; ou que escolheu estudar Filosofia porque "tinha de ser".
Poemas:
Luís de Camões, Pode um desejo imenso
Carlos Drummond de Andrade, A bunda, que engraçada
Ana Luísa Amaral, Pequeno Épico
António Cícero, Guardar
Daniel Jonas, O universo é grande
Daniel Jonas, Como mercúrio em frente ao sol
27 June 2026, 10:42 am - 1 hour 15 minutesCamila Sosa Villada: "O livro fala sobre mim, sobre a minha história, e marca uma diferença enorme sobre a legitimidade da minha existência, como escritora mesmo."
Acaba de chegar às livrarias A Viagem Inútil, o primeiro livro publicado pela autora argentina Camila Sosa Villada, e o terceiro a estar disponível para os leitores portugueses.
É um livro que acompanha a sua biografia, a sua infância e adolescência. A aprendizagem precoce das letras do alfabeto com o pai, o bom desempenho escolar e as primeiras decepções e traições dos colegas; a descoberta da leitura como lugar de refúgio e de descoberta, e depois a experiência da escrita, o exercício da escrita que, como a autora nos conta ao longo da conversa, não salva.
Começou por publicar poesia, depois ensaio e ficção, e hoje é lida em muitos países e está traduzida para muitas línguas.
Ao longo desta conversa em que também atravessamos a sua biografia, ouvimo-la e vemo-la emocionar-se a dizer poesia de cor, ou a falar da angústia que continua a acompanhá-la até aos dias de hoje.
Oferece-nos também a leitura de um poema seu, inédito e não publicado, e é um dos momentos mais bonitos e delicados do podcast.
Trouxe ainda duas referências: Anna Carson e Estela Figueroa.
21 June 2026, 9:13 am - 40 minutes 17 secondsSiri Hustvedt: "Seguimos as formas da vida, mantemos os rituais, porque isso nos oferece uma estrutura e um andaime para saber como viver. E nesses meses, eu precisava dessa estrutura"
A escritora Siri Hustvedt escreveu um livro que é uma homenagem a Paul Auster, o também escritor e marido com quem partilhou a vida durante 43 anos.
Chama-se Fantasmas, Um Livro de Memórias, tem tradução de Tânia Ganho e edição Dom Quixote.
Ao lê-lo, acompanhamos um processo de luto, mas também um trabalho de memória, reflexões, cartas trocadas entre ambos, a doença de Paul Auster, as cartas que o escritor escreveu ano neto acabado de nascer, quando sabia que viveria poucos meses; o enamoramento inicial entre ambos, o dia em que se conheceram em 1981. Uma história de amor e de perda.
Sobre tudo isso conversamos neste podcast.
19 June 2026, 5:00 am - 1 hour 44 minutesSara Duarte Brandão: "A Adília Lopes ensinou-me que a poesia vivia também em minha casa, vivia nas pessoas que eu conhecia, que era possível qualquer pessoa escrever um poema, ser um poema."
"A poesia serve para sermos humanos, para sermos só alma. Para não sermos aquilo que fazemos. Para quando me perguntam o que é que eu sou, eu não responder com aquilo que eu estudei e aquilo que eu faço, mas responder comos sussurros das montanhas."
Sara Duarte Brandão nasceu no Porto. em 1997. Licenciada em Design de Comunicação e Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes, é Facilitadora em Criação Artística Comunitária e doutoranda em Ciências da Educação com uma bolsa da FCT.
Escreve poesia e ficção, e os seus livros já lhe granjearam alguns prémios literários. O seu romance Quem Tem Medo dos Santos da Casa foi galardoado com o Prémio Literário Cidade de Almada – Romance (2023). Foi a vencedora da 2.ª edição do Prémio Wook Novos Autores (2025) tendo o júri destacado a forma como «revisita e transfigura os lugares-comuns da língua, atribuindo-lhes novos sentidos, com uma destreza reveladora de um invulgar talento literário».
Poemas:
— “Aprendizagens”, Ana Luísa Amaral;
— “outros amaram em mim a mulher”, Mar Becker;
— “XXXVII”, Maria da Graça Varella Cid;
— “Não somos desses que vão pelo caminho é antes ocaminho”, Adonis;
— “Mulher-Bordadora”, Maria Teresa Horta;
— “3.”, Vasco Gato;
— “13”, Alejandra Pizarnik;
— “81”, António Reis;
— “Sara”, Daniel Faria;
— “ir indo”, Joaquim Castro Caldas.
12 June 2026, 5:00 am - 2 hours 12 minutesCristina Ovídio: "Comove-me a gentileza sem palco."
A nossa convidada de hoje é a mais nova de 4 irmãos, e cresceu numa casa onde tanto havia lugar a conversas sobre ciência, brincadeiras de fazer haikus com o pai, dar explicações a crianças desfavorecidas para aprender a solidariedade, pertencer a um clube de aventuras a imitar os da Enid Blyton.
Cristina Ovídio é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas com uma pós-graduação em Multimédia, foi professora do ensino secundário, coordenadora editorial da Oficina do Livro, trabalhou como editora-executiva naPlaneta e na Clube do Autor, e moderou o programa “Original é a Cultura”, uma parceria SPA e SIC, com a escritora Dulce Maria Cardoso, o físico Carlos Fiolhais e o musicólogo Rui Vieira Nery.
Em 2017, abriu a livraria-bar Menina e Moça, em Lisboa, noCais do Sodré e é lá que leva a cabo várias atividades relacionadas com o livro e com a cultura. O clube de leitura é um exemplo, mas também conversas com autores, leituras de poesia e até, numa base regular, concertos de jazz.
Nesta conversa atravessamos a sua biografia, os seus gostos, as suas influências, as suas memórias, o seu propósito.
Poemas:
Fernando Pessoa, Nesse número do Orpheu que há-deser feito
Quase . Mário de Sá-Carneiro
Ruy Belo – E tudo era possível
Adélia Prado – Amor Feinho
Cesário Verde- Contrariedades
Adília Lopes, Só gosto das pessoas boas
António Franco Alexandre, Na lista dos teus fins venho nofim
Bernardim Ribeiro, Antre mim mesmo e mim
Federico García Lorca, Mamã. Eu quero ser de prata.
William Shakespeare, Soneto 30 (tradução de Vasco GraçaMoura), Quando em meu mudo e doce pensamento
Alexandre O’ Neill, O Poema Pouco Original do Medo
Maria do Rosário Pedreira, Se partires, não me abraces
Sophia de Mello Breyner Andresen, Soror Mariana – Beja
Matsuo Bashô, Quero ainda ver
Quando era pequena ouvia poemas ditos de cor pelo seupai, António Manuel Baptista, físico, escritor, professor e divulgador deciência, mas também um grande leitor de poesia.
5 June 2026, 5:00 am - 8 minutes 10 secondsPatrícia Baltazar: RÉ (Obra Reunida)
A poeta Patrícia Baltazar deixou-nos prematuramente em 2019, com apenas 41 anos.
Os seus poemas tinham as edições em livro esgotadas há muito tempo.
Agora, a editora Do Lado Esquerdo acaba de publicar a sua obra completa num livro chamado RÉ, que reúne não apenas os 4 livros da autora como alguns dispersos e inéditos.
De sublinhar a beleza e a sensibilidade da introdução deste volume, da autoria da filha da Patrícia, Rita Baptista. Também a ilustração do rosto de Patrícia, da autoria de Hugo Baptista, que reproduzimos na capa deste episódio.
1 June 2026, 5:00 am - 1 hour 10 minutesMaria Luiza Jobim: "“A minha experiência é que música e a arte estavam lá e eu cheguei depois. Então, não foi a música que chegou até mim.”
Maria Luiza Jobim nasceu no Rio de Janeiro, em 1986 mas foi viver para Nova Iorque ainda bebé onde esteve até aos 4 anos. Filha de António Carlos Jobim, cresceu numa casa com música e músicos, ensaios que viravam palco. Demorou a decidir-se a assumir a sua voz musical, mas quando o fez estreou-se com um disco que, precisamente, homenageia essa infância. Casa Branca era também o nome da sua casa de infância, e sobre isso também falamos no podcast.
A primeira vez que visitou Portugal foi para acompanhar o pai, quando Tom Jobim veio tocar ao Mosteiro dos Jerónimos, na década de 90. Mais tarde, a mãe comprou uma casa no Estoril, e também por causa disso a sua relação com o nosso país é próxima há muito tempo. O ano passado mudou-se com a filha, e decidiu ficar.
A família, a infância, o legado e as memórias do pai, a decisão de abandonar a arquitetura para se dedicar apenas à música, a carreira, a relação com Lisboa, são alguns dos temas que atravessam esta conversa.
Poemas:
Trecho de “Ligue os Pontos” Gregório Duvivier
Trecho “Fevereiro”, Matilde Campilho
Allen Ginsberg , My Sad Self
Quedei em altas , Ana Paula Vulcão
Caçada , Ana Martins Marques
29 May 2026, 5:00 am - More Episodes? Get the App