O Poema Ensina a Cair

Raquel Marinho

Perseguindo a ideia de Lawrence Ferlinghetti - "a poesia é a distância mais curta entre duas pessoas" - esperamos, através das escolhas poéticas dos nossos convidados, ficar mais perto deles e conhecê-los melhor. Usamos o verso de Luiza Neto Jorge “O Poema Ensina a Cair” para dar título a este podcast sobre os poemas da vida dos nossos convidados. Um projecto da autoria de Raquel Marinho. "Melhor podcast de Arte e Cultura" pelo Podes 2021 - Festival de Podcasts.

  • 1 hour 54 minutes
    Ana Bárbara Pedrosa: "Já em criança, os meus pares eram os escritores. Eu sentia que aquela era a minha família artística e social."

    Ana Bárbara Pedrosa é escritora e crítica literária, mãe de 2 filhos gémeos, a Maria e o David, viveu e estudou em Portugal, no Brasil e nos Estados Unidos. Nos tempos livres faz desporto e viaja. Quando era criança fazia exercícios de escrita a partir de sonetos. Sempre soube que queria ser escritora e sempre leu muito, também para atingir esse objectivo: "Eu sabia que queria escrever, mas sabia também que a escrita não cai do céu, não é uma coisa que acontecia por acaso. E eu costumo comparar muito isto ao desporto. Uma criança que aos 10 anos quer futebolista, sabe que tem de ir aos treinos. E eu ia aos treinos dessa forma. tinha de me autodisciplinar de outra forma. Acho que não houve um dia da minha vida que eunão tenha escrito. "

    É autora de Lisboa, chão sagrado (2019), Palavra do Senhor (2021), Amor estragado (2023), também publicado no Brasil, e Viagens com o Mehdi (2024) – todos com chancela Bertrand Editora.Poemas:

    Maria do Rosário Pedreira – o meu mundo tem estado à tuaespera

    Eugénio de Andrade – Primeiramente

    Jorge de Sena – Pandemos

    Júlio Dinis – Lava Oculta

    Almeida Garrett – Adeus

    6 February 2026, 6:00 am
  • 1 hour 4 minutes
    Leituras com Pedro Mexia: Mark Lilla e Paulo José Miranda

    No primeiro episódio do ano da rubrica de sugestões de leitura, Pedro Mexia traz-nos duas propostas bastante diferentes.

    Por um lado, a poesia reunida de Paulo José Miranda editada recentemente pela Imprensa Nacional Casa da Moeda com o título A Salvo de Deus, por outro o livro Ignorância e Felicidade - sobre querer não saber, de Mark Lilla, com tradução de Ricardo Mangerona e edição Edições 70.

    Paulo José Miranda é poeta, contista e ficcionista. Recebeu, entre outras distinções, o primeiro Prémio José Saramago.

    Mark Lilla é professor de Humanidades na Universidade de Columbia e colaborador frequente da The New York Review of Books.

    30 January 2026, 6:00 am
  • 1 hour 55 minutes
    Samuel Úria: "Eu acho que o Cohen é o maior poeta dos músicos e o maior músico dos poetas. "

    Recebemos Samuel Úria, o trovador de patilhas, como alguém lhe chamou.

    Músico, compositor, escritor de canções, com vários discos no curriculum, alguns prémios, como o mais recente Globo de Ouro para melhor canção com 2000 A. D.

    Tem uma relação precoce com a palavra, primeiro enquanto leitor e escritor de poemas meio às escondidas. Depois, ganhou um prémio literário num concurso da escola, e as coisas passaram a ser diferentes.

    Conta-nos que ler e escrever foram das grandes descobertas da sua vida, e será também por isso que algumas letras que vem fazendo dialogam com poemas publicados.

    Escolheu, como costuma acontecer, alguns poemas para servirem de rede à nossa conversa, onde todos os temas são bem vindos, até religião e política.

    Poemas:

    O tempo aprazado, Ingeborg Bachmann (tradução de João Barrento)

    Miguel Duarte – Agora é que o mundo vai conhecer a peste

    Carlos Drummond de Andrade – Confissão

    Alexandre O’ Neill – Um Adeus Português

    Leonard Cohen – Take this longing (tradução de Samuel Úria)

    23 January 2026, 6:00 am
  • 1 hour 13 minutes
    Michaela Schmaedel: "Hoje a minha vida gira em torno da poesia. Hoje em dia o que eu mais quero fazer é passar a poesia."

    Michaela Schmaedel nasceu e mora em São Paulo, no Brasil. Estudou História na universidade, mas cedo começou a trabalhar como jornalista. Fez um Curso Livre de Preparação de Escritores e várias oficinas de escritas com diversos poetas brasileiros. É poeta, editora de cultura, e organizadora de eventos relacionados com divulgação literária. Tem 3 livros de poesia publicados.

    16 January 2026, 6:00 am
  • 1 hour 21 minutes
    Eduardo Sá: "Se eu mandasse, destacava a poesia da língua portuguesa e fazia uma disciplina obrigatória de poesia ao longo de toda a formação escolar. "

    "Eu acho que a primeira função de qualquer ser humano é ser mãe, seja homem ou mulher."

    Eduardo Sá é psicólogo clínico e psicanalista, professor da Universidade de Coimbra e do ISPA, em Lisboa.

    Autor de vários livros e presença regular na imprensa, assina actualmente um programa diário na rádio Observador.

    Começou cedo a ler, mas também a escrever poesia, de tal modo que quando era adolescente lhe passou pela cabeça deixar de estudar para se dedicar à escrita, porque tinha a intenção de vir a ser poeta.

    É esse o ponto de partida para esta conversa, que foi gravada ao vivo na livraria Arquivo, em Leiria.

    A partir de alguns dos poemas de que mais gosta, conversamos sobre o seu percurso e a sua vida, mas também sobre as crianças, os adolescentes e a importância da educação familiar e escolar, e, claro, sobre saúde mental.

    Poemas:

    1 - O amor como em casa - Manuel António Pina

    2 - Perdidamente - Florbela Espanca

    3 - Tabacaria - Álvaro de Campos

    4 - Quase - Mario Sa Carneiro

    5 - Para o meu coração  - Pablo Neruda

    6 - Manuel Bandeira - O ultimo poema

    7 - Eugénio de Andrade - É urgente o amor

    8 - Daniel Faria - As mulheres aspiram a casa para dentrodos pulmões

    9 - Não sei se me interessei pelo rapaz - Adília Lopes


    9 January 2026, 6:00 am
  • 2 hours 5 minutes
    Alexandre Quintanilha: "Na minha experiência, os que têm conhecimento mais profundo sobre os diferentes temas, normalmente são pessoas muito humildes. "

    Quase 6 anos depois de ter sito o primeiro convidado do podcast, Alexandre Quintanilha regressa para uma conversa com Raquel Marinho, que atravessa a sua vida e o livro A Última Lição de Alexandre Quintanilha, recentemente editado pela Contraponto.

    É um homem das ciências, que defende o diálogo com as outras áreas do conhecimento, e que acredita que as pessoas que têm um "conhecimento mais profundo sobre os diferentes temas, normalmente sãopessoas muito humildes."

    Ao longo desta longa conversa, atravessamos a sua vida e as suas reflexões. Também aquilo que acredita que pode deixar como relfexões, e preocupações, para as gerações mais novas.

    Poemas:


    2 January 2026, 6:00 am
  • 1 hour 11 minutes
    Leituras com Pedro Mexia: "Embora haja boas razões para ter uma ideia catastrófica da história, também sabemos que a história não acontece sempre da mesma maneira."

    Na rubrica de sugestões de leitura deste mês, Pedro Mexia sugere 2 livros:

    Legião Estrangeira, de Clarice Lispecto, edição Companhia das letras

    Aquele Belo Rapaz, de k. P. Kaváfis, tradução de José Luís Costa, posfácio de Tatiana Faia e edição Assírio & Alvim.

    Como acontece regularmente nestas conversas, muitas outras referências se juntam. Por exemplo, Fernando Pessoa, Ezra Pound, T. S. Eliot, Dino Buzzati, William Turner, Homero, Carlos Drummond de Andrade, Agustina Bessa-Luís, FerreiraGullar, Chico Buarque, Maria Bethânia, Condessa de Segur, Eça de Queiroz, Camilo Castello Branco, Franz Kafka, Charles Baudelaire, Georges Perec ou Charles Bukowski.

    19 December 2025, 6:00 am
  • 1 hour 32 minutes
    Madalena Sá Fernandes: "Para mim, um bom poema é um poema que me inquieta, que não percebo totalmente e quero perceber, que me desconcerta, que me perturba."

    "Na escola, assim que percebi que havia poesia, quis logo começar a imitar. E então, na altura, as composições que eu fazia eram sempre poesia."

    Madalena Sá Fernandes nasceu em Lisboa, em 1993. Licenciou-se em Línguas, Literaturas e Culturas pela Universidade Nova de Lisboa.
    É cronista no jornal Público.
    O seu primeiro livro, Leme, vai na 8ª edição.

    Poemas:

    Três, Anne Carson

    Alfabeto, Inger Christensen

    Para Claude, Nuno Júdice

    After great pain, a formal feeling comes, Emily Dickinson

    Homenagem à Literatura, Fiama Hasse Pais Brandão

    O Problema da Habitação, Ruy Belo

    12 December 2025, 6:00 am
  • 1 hour 25 minutes
    Pedro Abrunhosa: "Muitas vezes, a poesia serve de espoleta para a minha própria escrita."

    "Estar no meio da floresta a ouvir o vento na copa das árvores, ou os pássaros, ou a chuva. É silencio. O silencio é isso. Não é ausência, não é o vazio. É a presença de qualquer outra coisa."

    Pedro Abrunhosa é um dos artistas e escritores de canções mais reconhecidos do nosso país. Nasceu em 1960, e começou a estudar música muito cedo.

    Contrabaixista, fundador da Escola de Jazz do Porto, estreou-se aos 34 anos com o disco Viagens, eleito, em 2024, o Melhor Disco da Música Portuguesa dos últimos 40 anos por júri da BLITZ com 170 personalidades.

    Acaba de lançar um livro que inclui todas as letras que escreveu desde o início da carreira artística chamado Vem Abrir a Porta à Noite, edição Contraponto. Para guiar a nossa conversa escolheu, como costuma acontecer aqui, alguns dos poemas de que mais gosta. São eles:

    José Tolentino Mendonça – Paga-me um café e conto-te a minha vida

    José Gomes Ferreira – nunca encontrei um pássaro morto nafloresta

    Daniel Faria - Estuário

    Canção – Jorge Sousa Braga

    Ana Hatherly – Esta gente, essa gente

    Jorge de Sena – No país dos sacanas

    David Mourão-Ferreira – E por vezes

    Fernando Assis Pacheco – Este ministro é um mentiroso

    Renato Filipe Cardoso – Amor nominal bruto

    Miguel Martins – Da Literatura

    Golgona Anghel – somos daqueles que limpam os ouvidos com a chave do Mercedes

    Rita Neto - Petingas em promoção

    5 December 2025, 6:00 am
  • 1 hour 9 minutes
    Fernanda Fragateiro: Eu acho que a poesia é a flexibilidade máxima. Não tem fim. A poesia é uma linha. Ler um poema é como pegares numa linha que não tem fim."

    "Eu fui absorvida completamente. Ou seja, não seria possíveleu continuar muito mais tempo a trabalhar neste projeto ou noutro do género porque, se calhar, teria de voltar as costas ao resto. E não sei se, a um dado momento, não decidiria voltar as costas ao resto."

    A artista plástica Fernanda Fragateiro está esta semana no podcast, porque foi uma das artistas convidadas a integrar o programa cultural do Jubileu 2025, da Igreja Católica, através do projeto internacional ‘Portas da Esperança’, que visa assinalar o Jubileu no âmbito das prisões unindo arte e reinserção social.

    Em Portugal, as residências artísticas foram promovidas pela Zet Gallery, em 2 estabelecimentos prisionais. O artista moçambicano Elídio Candja esteve no de Leiria, e Fernanda Fragateiro esteve na ala das mães do Estabelecimento Prisional de Tires.

    Nesta intervenção, que decorreu ao longo de várias semanas em diferentes workshops, Fernanda Fragateiro usou poesia portuguesa para dar outra cor e significado aos espaços da prisão, e também às celas das reclusas.

    Sobre todo este processo nos dá conta ao longo da conversa com Raquel Marinho, mas também, como costuma acontecer, ficamos a conhecê-la melhor, à sua relação precoce com a poesia, e ao que considera ser o desígnio e o papel da arte na sociedade.

    28 November 2025, 6:00 am
  • 1 hour 30 minutes
    Leituras com Pedro Mexia: "O Sena tinha ao mesmo tempo uma noção muito elevada do seu valor literário e uma grande amargura pelo pouco reconhecimento que tinha. "

    Na rubrica de sugestões de leitura deste mês, Pedro Mexia traz-nos 2 livros:

    Cultura, do filósofo, professor e crítico literário inglês Terry Eagleton, edições 70

    e

    Sophia-Sena, As Cartas, edição Guerra e Paz


    Como acontece sempre no decorrer desta conversa, muitos outros nomes de áreas distintas da cultura acabam por se juntar a nós.

    Por exemplo Luís de Camões, William Carlos Williams, João Miguel Fernandes Jorge, Oscar Wilde, Jim Morrison, Agustina Bessa-Luís, Charlie Chaplin, Miguel Torga, Aquilino Ribeiro, Eugénio de Andrade, T. S. Eliot, Emily Dickinson, Vergílio Ferreira, Almeida Faria, Arnaldo Saraiva, James Joyce, Manuel Alegre, Platão, Aristóteles, George Steiner, Immanuel Kant, Ludwig van Beethoven, Fernando Pessoa, Eduardo Lourenço, Óscar Lopes, Vasco Graça Moura, Vítor Manuel de Aguiar e Silva, Safo, Konstantínos Kaváfis, Dante Alighieri, Friedrich Hölderlin, Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar, ou Chico Buarque.

    21 November 2025, 6:00 am
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