• 1 hour 24 minutes
    Susana Moreira Marques (parte 2): “A literatura é uma boa maneira de não formarmos opiniões rápidas. A boa literatura não nos fecha num ponto de vista”

    Nesta segunda parte da conversa, a escritora Susana Moreira Marques revela como se relaciona com os princípios que estão na origem dos seus textos, livros e projetos. Depois reflete sobre o estado atual do jornalismo e sobre a importância de uma literatura que nos devolva tempo para pensar e para escutar os outros.

    Quanto aos desafios da tecnologia, a autora afirma que se aflige ao ver escritores que escrevem livros como se fossem máquinas — e jornalistas que fazem o mesmo. E deixa um conselho: “Não imitemos as máquinas.”

    No final, dá-nos a conhecer algumas das músicas que a acompanham, lê um excerto de Pequenas Coisas como Estas, de Claire Keegan, partilha várias sugestões culturais e revela algumas das pequenas coisas que lhe dão prazer. Boas escutas!

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    29 August 2026, 5:00 am
  • 1 hour 29 minutes
    Susana Moreira Marques (parte 1): “Escrevo para que as histórias sobrevivam à inevitabilidade do desaparecimento. As pessoas desaparecem, mas algo perdura”

    Susana Moreira Marques foi jornalista durante muitos anos e, apesar de já não escrever para jornais há algum tempo, tem muito no seu processo de trabalho de escritora que vem desse passado. Autora de livros de não-ficção literária, Susana diz-se interessada em escrever sobre as histórias quotidianas das pessoas banais, e não sobre grandes feitos. Um terreno que sente ainda ter muito para desbravar. Exemplo disso são os títulos: “Agora e na hora da nossa morte”, “Lenços Pretos, Chapéus de Palha e Brincos de Ouro” e o mais recente “Terceiro Andar Sem Elevador”. De momento, está a escrever um argumento de ficção para um telefilme, sobre o fim de vida, que integrará a nova série da RTP, “Contado por Mulheres”.. Ouçam-na nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça

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    28 August 2026, 11:35 am
  • 57 minutes 29 seconds
    Dalila Carmo (parte 2): “Acredito no poder da emoção e da fragilidade. É preciso ser-se muito forte para expôr vulnerabilidades”

    Nesta segunda parte da conversa, a atriz Dalila Carmo reflete sobre a eventual fatura por ter um olhar crítico sobre a sua arte e o sistema, mas afirma-se numa fase tranquila e em paz. Depois comenta a importância da sua independência e liberdade, e o novo conservadorismo de algumas mulheres que escolhem estar sob o domínio do patriarcado.

    A atriz revela ainda recusar-se a ceder às plásticas e à ilusão de quem não aceita envelhecer. Dalila Carmo partilha depois o alívio de já não ter de responder às perguntas sobre maternidade, da importância de preservar o espanto pela vida e do poder da emoção e da vulnerabilidade.

    No final, partilha as músicas que a acompanham, lê um excerto de um livro do filósofo norueguês Lars Svendsen, deixa algumas sugestões culturais e revela alguns dos seus pequenos grandes prazeres quotidianos. Boas escutas!

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    22 August 2026, 7:00 am
  • 1 hour 19 minutes
    Dalila Carmo (parte 1): “A minha intensidade está mais moderada. Já não me levo tão a sério. Estou sem pressa para nada e mais contemplativa”

    É uma atriz com um sólido e prestigiado currículo na ficção televisiva, no cinema e no teatro.Há mais de 30 anos que um dos seus maiores prazeres são as longas viagens a solo para destinos menos turísticos, sem urgência de regressar. A atriz afirma que tem sido uma forma de se politizar, de se reencontrar e de ganhar mais consciência e empatia sobre outros povos e culturas: experiências que poderão em breve ser contadas num livro de viagens. Depois de uma pausa para tratar do seu novo refúgio na serra, Dalila está de regresso às gravações de uma mini novela em Setembro. Ouçam-na nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça.

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    21 August 2026, 10:18 am
  • 1 hour 1 minute
    Filipe Homem Fonseca (parte 2): “É de uma petulância enorme acharmos que vamos ser a última das gerações. Vêm aí tempos piores, mas creio nas futuras gerações”

    Nesta segunda parte da conversa, o escritor e guionista Filipe Homem Fonseca revela o seu ceticismo sobre o caminho do mundo nas próximas décadas, mas dá conta de como resiste à desesperança e da sua grande confiança nas gerações futuras.

    Depois revela o seu particular gosto por musicais e banda desenhada do fantástico, lê um poema do poeta e amigo Miguel Martins, partilha algumas das músicas que o acompanham e algumas sugestões culturais

    E ainda nomeia alguns dos seus filmes preferidos de sempre, e aqueles que lhe devolvem a esperança na Humanidade. E, no final, alguns dos pequenos quotidianos que o acompanham sempre. Boas escutas!

    Músicas referidas:

    Bandua – “Barquinho”
    Ana Lua Caiano – “Uma vida a menos”
    Lavoisier - “Pé de Vento” ( do álbum “Era com h”)

    Poema:

    Miguel Martins, in São Miguel da Desorientação, ed. Macondo, 2020

    Sugestão cultural:

    A tour dos Lavoisier: andam na estrada e são imperdíveis.

    O texto lido por Filipe, da sua autoria:

    “50 anos a celebrar o 25, e hoje há quem nos diga “mas
    lutem baixinho, não acordem os turistas e os nómadas
    digitais, vão mais para ali que é para não se verem as
    tendas dos que vivem na rua, olhem que dá mau
    aspecto, respeitinho é muito bonito, boas maneiras à
    mesa mesmo sem nada para comer, partir a louça é
    que não, pensem como vos dizemos para pensar, vivam
    como vos deixamos viver; despolarizem, filhos,
    despolarizem, a liberdade de expressão tem as costas
    largas quando é para impormos limites
    à liberdade dos outros, já não se admite fora da
    tradição, ai a tradição, ai; o corpo é de quem?, é de
    quem, o corpo?, porque é que o corpo é de quem o
    tem?, então e a família?, a família só é família se for
    tradicional, tomem lá a conversa de que nos querem
    obrigar a coisas mesmo quando só querem é
    que não vos obriguemos a coisas que só a vós dizem
    respeito; tomem lá o discurso de que vivem acima das
    vossas possibilidades, agradeçam terem emprego
    sequer, engulam esta de que os imigrantes explorados
    é que têm a culpa da crise, esqueçam os lucros da
    banca e os salários miseráveis, tomem lá banda larga e
    muito circo, chupem gourmet, chupem low cost, roam
    um papo-seco e façam filhos, que esta Disneylândia precisa
    de quem produza riqueza para os acionistas; em cada
    rosto igualdade?, não: em cada filho um colaborador
    futuro, trabalhador não, co-la-bo-ra-dor, um colaborador

    é mais empenhado, o empenho prescinde direitos,
    querem que isto avance ou não querem?, um passo
    atrás de cada vez, 50, 49, 48, sempre a puxar para trás,
    rumo a 74, a antes do 25, então não se estava tão
    bem?, antes é que era”; e a resposta é, hoje e sempre,
    só pode ser: não, não, não, não passarão, não
    passarão, não passarão.”

    ERRATA: A propósito da frase que Filipe Homem Fonseca citou, de Sísifo ter de gostar da pedra (a frase correcta é “Há que imaginar Sísifo feliz”) – Filipe atribuiu-a a Vitor Hugo quando é, na verdade, de Albert Camus. 

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    15 August 2026, 5:00 am
  • 1 hour 13 minutes
    Filipe Homem Fonseca (parte 1): “Acredito cada vez mais no vagar, na finitude e numa boa gargalhada”

    Nas artes da escrita, ele é um criador de múltiplas pistas. É dramaturgo, argumentista, romancista, poeta, cronista, realizador e músico e, há décadas, assina programas de televisão, além de séries, filmes, rábulas para rádio e peças de teatro. Fez parte das Produções Fictícias, fundou a banda satírica “Cebola Mol” e, apesar de achar que o mundo ainda vai piorar, continua a acreditar no poder de uma boa gargalhada e na revolução das gerações futuras contra o sistema e a voragem da tecnologia. Ouçam-no nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça. Ouçam-no nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça

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    14 August 2026, 10:10 am
  • 1 hour 26 minutes
    Viriato Soromenho-Marques (parte 2): “A paz é uma das mais difíceis invenções da Humanidade. E é a grande invenção e projeto que temos de realizar”

    Nesta segunda parte da conversa, o professor universitário, filósofo e ambientalista Viriato Soromenho-Marques reflete sobre as utopias e distopias atuais da sociedade. “As utopias adormecentes são tão poderosas que não reconhecemos no rosto dos nossos filhos as ameaças do futuro.”

    Depois refere a paz como a maior invenção da Humanidade, abre o livro sobre as reais ameaças do aquecimento global e deixa um apelo à responsabilidade perante as gerações futuras. “Se não se travar o aquecimento global, nos próximos séculos uma parte considerável do planeta pode estar inabitável.”

    E ainda lê um excerto de Nietzsche sobre a “morte de Deus”, fala com orgulho da família e dos dois filhos emigrados, deixa várias sugestões culturais, revela alguns dos seus pequenos prazeres quotidianos e explica por que acredita que "o humor é fundamental para colmatarmos a nossa ignorância e mortalidade”. Boas escutas!

     

    ERRATA: Por lapso, nesta conversa a investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Tatiana Moura, é referida erradamente como Tânia. Tatiana Moura é também co-coordenadora do Observatório Masculinidades.pt.

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    8 August 2026, 5:00 am
  • 1 hour 22 minutes
    Viriato Soromenho-Marques (parte 1): “Está a faltar-nos o espanto pela beleza do mundo. Uma vida boa deve extravasar a tecnologia e os ecrãs”

    É um dos pensadores portugueses mais relevantes a refletir sobre os desafios da guerra e da paz e sobre a urgência climática no mundo. Viriato Soromenho-Marques é professor universitário, filósofo, ensaísta e ambientalista. Nesta conversa alerta para a importância de uma “paz imperfeita” que reduza o risco de uma guerra nuclear e trave a escalada bélica das grandes potências. Preocupado com o futuro frágil do planeta e da humanidade, deixa um aviso: “Em vez de encontrarmos uma solução para a crise, estamos a deixar que seja a crise a encontrar uma solução através do colapso.” Ouçam-no aqui nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça

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    7 August 2026, 9:34 am
  • 2 hours 9 minutes
    #5 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Madalena Sá Fernandes: “Procuro a resistência da alegria. Vivi uma fase escura. Agora trabalho para manter a alegria, o espanto e a curiosidade”

    Madalena Sá Fernandes cresceu num ambiente de violência doméstica com um padrasto agressor, tema que atravessa o seu primeiro livro, “Leme”, editado em 2023, num registo de autoficção. Esse romance tornou-se um fenómeno de popularidade: já vai na 8ª edição, foi traduzido no Brasil e chegará também à Dinamarca e à Argentina. Em 2024, a escritora publicou “Deriva”, uma compilação de crónicas, que lhe permitiu revelar um lado mais humorístico sobre o quotidiano. De momento, Madalena está a terminar um mestrado, prepara um livro para crianças, motivada por ser mãe de duas meninas de 6 e 7 anos e este ano publicou um novo romance, “Sótão”, com um lado ensaísta e autobiográfico, sobre a experiência da violência na pele enquanto mulher adulta. “Tenho procurado transformar o que dói em linguagem, e encontrar aí sobrevivência e, idealmente, beleza.” Este episódio foi um dos mais ouvidos da última temporada do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, de Bernardo Mendonça

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    31 July 2026, 7:00 am
  • 2 hours 6 minutes
    #4 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Vera Iaconelli: “A ideia de finitude é conselheira. Leva-me a viver o momento, sem nostalgia pelo passado ou ansiedade pelo futuro”

    É uma das psicanalistas mais prestigiadas do Brasil, autora do famoso podcast “Isso não é uma sessão de análise”, onde deita figuras públicas no divã da escuta. Veara Iaconelli é também uma brilhante agitadora de consciências, não só através das crónicas que assina semanalmente no jornal “Folha de São Paulo”, como através dos livros que escreve. Em Portugal acaba de lançar “Análise: notas do divã”, pela Companhia das Letras, onde revela as dores do passado: o pai violento e alcoólatra, a mãe submissa, a morte dos irmãos, a terapia falhada e as outras que a iluminaram. Republicamos este episódio com uma das conversas mais ouvidas desta última temporada do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, de Bernardo Mendonça

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    24 July 2026, 7:00 am
  • 2 hours 22 minutes
    #3 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Filipe Vargas: “O egoísmo, a obsessão com o dinheiro, a falta de empatia desumaniza-nos. O povo desunido vai sempre ser vencido”

    Durante uma década foi criativo de publicidade em várias agências. Depois quis mudar de rumo, estudou representação em Madrid e, aos 35 anos, estreou-se como ator na popular série “Conta-me como Foi”, na RTP. Desde aí, tem feito um sem fim de papéis na televisão, no teatro e cinema. Após um ano emocionalmente duro em que acompanhou de perto o fim de vida dos pais, Filipe Vargas revela ter superado a fase com ajuda médica e da sua rede de amigos. Atualmente o ator e criador do podcast  “E a tua semana como correu?” revela-se preocupado com o rumo sombrio do mundo. “A perda do sentimento de comunidade é o grande drama da nossa atualidade. O egoísmo, a obsessão com o dinheiro, a falta de informação e de empatia, desumaniza-nos. O povo desunido vai sempre ser vencido.” Republicamos este episódio, um das conversas mais ouvidas da última temporada do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, de Bernardo Mendonça

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    17 July 2026, 9:00 am
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