- 42 minutes 44 secondsLucélia Santos (parte 2): “Acima do ser humano, luto pela floresta. É o que pode dar vias de sobrevivência a tudo o que vive”
Depois de tantos anos na luta de tantas causas e tantos embates como consegue a atriz Lucélia Santos preservar essa capacidade quase infantil de se encantar com o mundo? Nesta segunda parte da conversa, a atriz revela como preserva um certo encantamento pelas coisas, e como se resguarda do que não gosta.
Lucélia recorda alguns dos seus êxitos do passado e um certo filme em que aparecia desnuda, com uma cobra, e que constava na biblioteca de Fidel Castro. A atriz chega a falar da sua relação com o ativista Chico Mendes, do seu caminho na luta pela preservação da Amazónia e de como a crise climática diz respeito a todas as pessoas para que haja futuro no planeta.
Lucélia Santos partilha ainda algumas músicas que a acompanham, lê um excerto do livro “Crime e Castigo”, de Dostoievski, e deixa algumas sugestões culturais. Boas escutas!
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19 September 2026, 6:30 am - 1 hour 8 minutesLucélia Santos (parte 1): “É difícil essa coisa do mito. Estou radicalmente fora da sociedade de consumo, de glamour, de falsidades, da exposição egóica”
Ela é talvez a atriz brasileira mais conhecida do mundo. Lucélia Santos já juntou uma multidão sem fim para a ver ao vivo na Muralha da China. Foi também responsável por momentos de cessar-fogo na guerra da Bósnia. E, durante um tempo, os aviões em Cuba não saíam do aeroporto, para que Fidel Castro e a população inteira pudessem assistir à telenovela “A Escrava Isaura”, que ela protagonizou no final dos anos 70.
Com um vasto e premiado percurso no teatro, no cinema e na televisão, e há 40 anos na luta pela preservação da Amazónia, Lucélia está agora em Portugal com o espetáculo “Vozes da Floresta — Chico Mendes Vive”, que pode ser visto nos dias 21, 22 e 23 de setembro, no Teatro Villaret, em Lisboa.
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18 September 2026, 8:25 am - 1 hour 7 minutesJúlia Pinheiro (parte 2): “Nós já não estamos a pensar. Delegamos tudo à máquina. E não refletimos a mutação desse modo de vida. Isto deixa-me um elefante no peito”
Nesta segunda parte da conversa, a apresentadora Júlia Pinheiro revela o que espera das suas netas enquanto mulheres no futuro, e o que atualmente mais a inquieta no país e no mundo. Como havemos de viver e de continuar a acreditar? Júlia responde.
A apresentadora fala ainda da sua amizade e cumplicidade longa com Manuel Luís Goucha, reflete sobre o futuro dos medida, a preocupação com a IA, e o seu interesse e fascínio pelos mecanismos que geram a violência. E ainda conta os próximos projetos que vai lançar em breve…
No final, ainda há lugar para Júlia Pinheiro partilhar algumas das músicas que a acompanham, ler um excerto do seu livro “Não Sei Nada Sobre o Amor” e do novo livro de Gisele Pelicot - “Um Hino à Vida - A Vergonha tem de Mudar de Lado”, uma história de abuso que chocou o mundo.
E que, acima de tudo, mostrou como o mal se esconde entre uma aparente normalidade de um lugar, e como a força de uma mulher a fez superar um trauma e servir de exemplo para o mundo. Boas escutas!
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12 September 2026, 7:00 am - 1 hour 11 minutesJúlia Pinheiro (parte 1): “Não estou habituada a que me escutem. As pessoas sabem muita coisa sobre mim, mas se calhar não sabem nada…”
Ela é uma senhora televisão. Está diariamente em antena há mais de três décadas e sabe desta indústria como poucos. Júlia Pinheiro já apresentou todo o género de formatos televisivos. Do “trash TV” ao jornalismo justiceiro, das “Queridas Manhãs” aos programas da tarde em nome próprio, até aos formatos mais ousados, carismáticos e icónicos, como é o caso de “A Noite da Má Língua”, um programa que marcou o país nos anos 90, na SIC, e que dessacralizou a forma como se falava da classe política na televisão, com humor, rasgo e pensamento crítico. “A Noite da Má Língua deixou-me a bactéria da transgressão.” Qual o futuro da televisão, com cada vez mais pessoas a consumir formatos no YouTubee no streaming? O que mais a irrita ver na TV? Júlia responde. Ouçam-na nesta conversa com Bernardo Mendonça.
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11 September 2026, 11:07 am - 57 minutes 49 secondsFilipa Leal (parte 2): “Quero ser melhor amiga, melhor amante e melhor pessoa. Também tento viver melhor e escrever melhor”
Nesta segunda parte da conversa, a poeta e jornalista Filipa Leal fala da “importância de ser norte”, reflete sobre o valor das amizades tardias e sobre a dor das amizades fortes que ficam pelo caminho, comenta a sua adrenalina e intensidade na vida, que a idade não alterou. E ainda fala das suas inquietações pessoais e do estado do mundo. Tudo bem embrulhado em muita poesia, nomeadamente num poema inédito que está incluído no seu próximo livro, “Amor chega em breve num Volkswagen”.
E ainda partilha algumas das músicas que a acompanham, lê Clarice Lispector, escolhe várias sugestões culturais e revela pequenos grandes prazeres que fazem parte do seu quotidiano. Boas escutas!
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5 September 2026, 1:08 pm - 1 hour 14 minutesFilipa Leal (parte 1): “À medida que a vida me começou a doer, curiosamente, o humor entrou na minha poesia”
Quando acabou a escola primária, Filipa Leal já se imaginava escritora. Formou-se em Londres e é hoje jornalista, poeta e escritora, autora de contos, argumentos para cinema e peças de teatro. Na televisão, apresentou vários programas de literatura, como “Nada Será Como Dante” e “A Pequena Biblioteca”, na RTP. O humor e a fina ironia, a par da sombra, são dois lados muito presentes na sua poesia. Com 16 livros publicados, prepara-se para lançar, em outubro, o seu novo livro de poesia, “Amor chega em breve num Volkswagen”, pela Assírio & Alvim. Ouçam-na nesta conversa com Bernardo Mendonça
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4 September 2026, 9:53 am - 1 hour 24 minutesSusana Moreira Marques (parte 2): “A literatura é uma boa maneira de não formarmos opiniões rápidas. A boa literatura não nos fecha num ponto de vista”
Nesta segunda parte da conversa, a escritora Susana Moreira Marques revela como se relaciona com os princípios que estão na origem dos seus textos, livros e projetos. Depois reflete sobre o estado atual do jornalismo e sobre a importância de uma literatura que nos devolva tempo para pensar e para escutar os outros.
Quanto aos desafios da tecnologia, a autora afirma que se aflige ao ver escritores que escrevem livros como se fossem máquinas — e jornalistas que fazem o mesmo. E deixa um conselho: “Não imitemos as máquinas.”
No final, dá-nos a conhecer algumas das músicas que a acompanham, lê um excerto de Pequenas Coisas como Estas, de Claire Keegan, partilha várias sugestões culturais e revela algumas das pequenas coisas que lhe dão prazer. Boas escutas!
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29 August 2026, 5:00 am - 1 hour 29 minutesSusana Moreira Marques (parte 1): “Escrevo para que as histórias sobrevivam à inevitabilidade do desaparecimento. As pessoas desaparecem, mas algo perdura”
Susana Moreira Marques foi jornalista durante muitos anos e, apesar de já não escrever para jornais há algum tempo, tem muito no seu processo de trabalho de escritora que vem desse passado. Autora de livros de não-ficção literária, Susana diz-se interessada em escrever sobre as histórias quotidianas das pessoas banais, e não sobre grandes feitos. Um terreno que sente ainda ter muito para desbravar. Exemplo disso são os títulos: “Agora e na hora da nossa morte”, “Lenços Pretos, Chapéus de Palha e Brincos de Ouro” e o mais recente “Terceiro Andar Sem Elevador”. De momento, está a escrever um argumento de ficção para um telefilme, sobre o fim de vida, que integrará a nova série da RTP, “Contado por Mulheres”.. Ouçam-na nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça
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28 August 2026, 11:35 am - 57 minutes 29 secondsDalila Carmo (parte 2): “Acredito no poder da emoção e da fragilidade. É preciso ser-se muito forte para expôr vulnerabilidades”
Nesta segunda parte da conversa, a atriz Dalila Carmo reflete sobre a eventual fatura por ter um olhar crítico sobre a sua arte e o sistema, mas afirma-se numa fase tranquila e em paz. Depois comenta a importância da sua independência e liberdade, e o novo conservadorismo de algumas mulheres que escolhem estar sob o domínio do patriarcado.
A atriz revela ainda recusar-se a ceder às plásticas e à ilusão de quem não aceita envelhecer. Dalila Carmo partilha depois o alívio de já não ter de responder às perguntas sobre maternidade, da importância de preservar o espanto pela vida e do poder da emoção e da vulnerabilidade.
No final, partilha as músicas que a acompanham, lê um excerto de um livro do filósofo norueguês Lars Svendsen, deixa algumas sugestões culturais e revela alguns dos seus pequenos grandes prazeres quotidianos. Boas escutas!
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22 August 2026, 7:00 am - 1 hour 19 minutesDalila Carmo (parte 1): “A minha intensidade está mais moderada. Já não me levo tão a sério. Estou sem pressa para nada e mais contemplativa”
É uma atriz com um sólido e prestigiado currículo na ficção televisiva, no cinema e no teatro.Há mais de 30 anos que um dos seus maiores prazeres são as longas viagens a solo para destinos menos turísticos, sem urgência de regressar. A atriz afirma que tem sido uma forma de se politizar, de se reencontrar e de ganhar mais consciência e empatia sobre outros povos e culturas: experiências que poderão em breve ser contadas num livro de viagens. Depois de uma pausa para tratar do seu novo refúgio na serra, Dalila está de regresso às gravações de uma mini novela em Setembro. Ouçam-na nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça.
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21 August 2026, 10:18 am - 1 hour 1 minuteFilipe Homem Fonseca (parte 2): “É de uma petulância enorme acharmos que vamos ser a última das gerações. Vêm aí tempos piores, mas creio nas futuras gerações”
Nesta segunda parte da conversa, o escritor e guionista Filipe Homem Fonseca revela o seu ceticismo sobre o caminho do mundo nas próximas décadas, mas dá conta de como resiste à desesperança e da sua grande confiança nas gerações futuras.
Depois revela o seu particular gosto por musicais e banda desenhada do fantástico, lê um poema do poeta e amigo Miguel Martins, partilha algumas das músicas que o acompanham e algumas sugestões culturais
E ainda nomeia alguns dos seus filmes preferidos de sempre, e aqueles que lhe devolvem a esperança na Humanidade. E, no final, alguns dos pequenos quotidianos que o acompanham sempre. Boas escutas!
Músicas referidas:
Bandua – “Barquinho”
Ana Lua Caiano – “Uma vida a menos”
Lavoisier - “Pé de Vento” ( do álbum “Era com h”)Poema:
Miguel Martins, in São Miguel da Desorientação, ed. Macondo, 2020
Sugestão cultural:
A tour dos Lavoisier: “andam na estrada e são imperdíveis”.
O texto lido por Filipe, da sua autoria:
“50 anos a celebrar o 25, e hoje há quem nos diga “mas
lutem baixinho, não acordem os turistas e os nómadas
digitais, vão mais para ali que é para não se verem as
tendas dos que vivem na rua, olhem que dá mau
aspecto, respeitinho é muito bonito, boas maneiras à
mesa mesmo sem nada para comer, partir a louça é
que não, pensem como vos dizemos para pensar, vivam
como vos deixamos viver; despolarizem, filhos,
despolarizem, a liberdade de expressão tem as costas
largas quando é para impormos limites
à liberdade dos outros, já não se admite fora da
tradição, ai a tradição, ai; o corpo é de quem?, é de
quem, o corpo?, porque é que o corpo é de quem o
tem?, então e a família?, a família só é família se for
tradicional, tomem lá a conversa de que nos querem
obrigar a coisas mesmo quando só querem é
que não vos obriguemos a coisas que só a vós dizem
respeito; tomem lá o discurso de que vivem acima das
vossas possibilidades, agradeçam terem emprego
sequer, engulam esta de que os imigrantes explorados
é que têm a culpa da crise, esqueçam os lucros da
banca e os salários miseráveis, tomem lá banda larga e
muito circo, chupem gourmet, chupem low cost, roam
um papo-seco e façam filhos, que esta Disneylândia precisa
de quem produza riqueza para os acionistas; em cada
rosto igualdade?, não: em cada filho um colaborador
futuro, trabalhador não, co-la-bo-ra-dor, um colaboradoré mais empenhado, o empenho prescinde direitos,
querem que isto avance ou não querem?, um passo
atrás de cada vez, 50, 49, 48, sempre a puxar para trás,
rumo a 74, a antes do 25, então não se estava tão
bem?, antes é que era”; e a resposta é, hoje e sempre,
só pode ser: não, não, não, não passarão, não
passarão, não passarão.”ERRATA: A propósito da frase que Filipe Homem Fonseca citou, de Sísifo ter de gostar da pedra (a frase correcta é “Há que imaginar Sísifo feliz”) – Filipe atribuiu-a a Vitor Hugo quando é, na verdade, de Albert Camus.
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15 August 2026, 5:00 am - More Episodes? Get the App